O desafio e os frutos da cooperação

O desafio e os frutos da cooperação

Colégio Vital Brazil

31 Outubro 2016 | 10h00

É um dos primeiros desafios que a criança enfrenta quando entra na escola. O próprio mobiliário das salas de aula na Educação Infantil, com mesinhas para grupos de quatro alunos, deixa claro: a vida em sociedade, a vida que ela começa a descobrir fora do seio familiar, exigirá convivência com pessoas diferentes, compartilhamento, trabalho em equipe e cooperação. Não são habilidades que se adquirem da noite para o dia. Mas podem ser estimuladas desde cedo e com frequência. É o que o Vital Brazil procura fazer com seus alunos em diversas oportunidades, ao longo da Educação Básica.

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Segundo a coordenadora da Educação Infantil e do Fundamental I, Teresa D’Ângelo, para os alunos da pré-escola o trabalho em grupo ainda é tarefa difícil. “Eles ainda são muito egocêntricos”, diz ela, referindo-se não a um traço de caráter, mas a uma condição da biologia humana. Nos primeiros anos de vida, o cérebro infantil é neurologicamente incapaz de operar com pontos de vista diferentes do seu. Segundo ela, é só por volta do 2º ano que os alunos passam a cooperar mais efetiva e conscientemente. “É quando começamos a parear os alunos em duplas e, mais tarde, em grupos”, diz a coordenadora.

A evolução não ocorre sem conflitos. Afinal, o trabalho em grupo envolve escutar e respeitar a opinião dos colegas, tentar convencê-los com argumentos ou abrir mão da própria opinião. É um grande aprendizado, mas não é simples – ainda mais porque, na maioria das vezes, não são os alunos que escolhem suas duplas ou parceiros de grupo, mas as professoras. “Há um olhar pedagógico para identificar os alunos que se encontram na mesma zona de desenvolvimento, para que o trabalho seja mais frutífero”, diz Teresa.

A maioria decide

Os alunos da professora do 4º ano Cristina Vilas passam boa parte do ano estudando a água e suas propriedades. Em grupos de quatro a cinco, observam as transformações dos estados da água, misturam-na com outras substâncias – café, farinha, óleo, açúcar – para descobrir quais se dissolvem, entre outros experimentos. Fazem observações (“óleo e água não se misturam”), formulam hipóteses (“será que dá para separá-los?”), realizam testes, registram resultados. E, no processo, debatem.

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“É comum me chamarem para decidir uma questão: ‘Prô, meu amigo não quer aceitar minha ideia’”, diz Cristina. “Eu sempre falo: ‘A maioria decide. Você deve lutar pela sua ideia, argumentar, mas, se necessário, tem de ceder’. Esse aprendizado é enriquecedor”. A confiança da professora na capacidade de os alunos resolverem os impasses é acertada. Um experimento envolve diluir 1 kg de sal numa bacia com água e deixá-la exposta ao sol durante as férias de julho; na volta às aulas, só resta o sal cristalizado. Para onde foi a água? “Um aluno pode dizer: ‘Alguém jogou fora’. Mas os próprios colegas argumentam: ‘Mas como o sal teria ficado? Não foi isso. A água evaporou’”, relata a professora.

Unindo forças e talentos

Mas trabalhar em equipe não se trata apenas de convencer ou ser convencido. Trata-se também de unir habilidades diferentes para alcançar um objetivo. À medida que os alunos amadurecem e reconhecem essas vantagens, novos frutos são colhidos.

Que o diga o professor de Matemática Vanderlei Cardoso. Entre abril e junho deste ano, alunos do 6º ano do Ensino Fundamental à 2ª série do Médio do Vital Brazil participaram da Olimpíada Matemática sem Fronteiras, competição que envolve mais de 240 mil estudantes de cerca de 30 países. Com uma diferença em relação à maioria das olimpíadas acadêmicas: a classe toda participa como uma equipe.

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“Todas as classes usaram a mesma estratégia: dividiram a turma em grupos de quatro a cinco, que ficavam responsáveis por uma ou duas questões”, diz Vanderlei. “Alguns resolviam as suas e iam ajudar os demais. E um aluno era o relator, responsável por passar a limpo as respostas da sala”. Ao final, Vanderlei selecionou de cada série a turma com a melhor prova, para submeter à organização do evento. (Sem ajudar ninguém, é claro).

O mais interessante, para o professor, foi a natureza colaborativa da prova. “Olimpíadas costumam interessar apenas alunos com mais facilidade na disciplina. Mas nessa é preciso interpretar enunciados, criar estratégias de solução, dominar o Inglês (uma das questões é em língua estrangeira), fazer o registro organizadamente… Isso motivou todo mundo, mesmo aqueles com dificuldade em Matemática. Todos podiam contribuir”, diz. O saldo: medalhas de bronze para o 7º ano B e o 8º ano A; prata para o 6º ano B, a 1ª série C e a 2ª série C; e ouro para o 9º ano A.

Também neste ano outra competição acadêmica disputada em equipes, a Olimpíada Nacional de História do Brasil, viu os alunos Karen Takahashi, Priscila Lacerda e Victor Henrique Cardinali, da 2ª série do Médio (na foto acima, com o professor Leandro Torelli), vencerem as cinco fases on-line iniciais e avançarem até a final, presencial, no campus da Unicamp. (Outras quatro equipes do Vital também participaram da ONHB.) “Nas provas on-line, de múltipla escolha, eles às vezes chegavam a impasses dentro dos grupos. Eu não intervinha dizendo se a resposta era A ou B, mas mediando o debate. ‘Por que você acha isso? E por que você discorda?’”, conta o professor de História Leandro Torelli. Em agosto, na prova final, o trio precisou escrever um texto a seis mãos, argumentativo, sobre o movimento Escola sem Partido.

Essa foi a segunda participação do Vital Brazil na ONHB. No ano passado, o Colégio chegou até a quinta fase final. Neste ano, nossos alunos não conquistaram medalhas, mas receberam menção honrosa por sua participação. Quem sabe no ano que vem o trabalho em grupo renda ainda maiores resultados?