Fazendo a travessia

Fazendo a travessia

Colégio Vital Brazil

26 de dezembro de 2016 | 10h00

Roberto Leal não é o tipo de coordenador escolar conhecido pela “cara amarrada”. Pelo contrário, quem o vê caminhar pelos corredores do Vital Brazil costuma encontrar um semblante sereno e modos afáveis. Invariavelmente, porém, quando o fim do ano vai se aproximando, Roberto é motivo de apreensão para um grupo de alunos que, não raro, lhe perguntam: “Você é muito bravo?”

projeto travessia vital brazil

A apreensão é compreensível. Trata-se de alunos do 5º ano, última série do Ensino Fundamental I, que, às vésperas de mudarem de ciclo, têm a chance de encontrar os responsáveis pela Coordenação que os acompanhará nos quatro anos seguintes. Na vida de qualquer aluno, a chegada ao 6º ano representa mudança significativa, carregada de dúvidas e aflições – mas que pode ser facilitada com um conjunto de medidas que o Vital toma para tornar a transição de todos mais tranquila. Medidas como o encontro com o coordenador do Fundamental II, Roberto Leal.

Batizado de Travessia, o projeto visa, por um lado, preparar os alunos para mudanças concretas que o novo ciclo traz para a rotina escolar e, por outro, desfazer alguns medos injustificados que acompanham essas mudanças. “A transição para o Fundamental II tem impacto, isso é fato; mas o impacto pode ser bem menor se o aluno se sentir preparado e acolhido pela escola”, diz Roberto, acrescentando que, paralelamente ao trabalho com os adolescentes, também é importante que o Colégio ajude os pais a se adaptarem ao novo ciclo.

Foco e organização

A primeira e mais evidente mudança do Fundamental II é o fim da professora regente. Mesmo tendo aulas, desde a pré-escola, com alguns professores especialistas (em disciplinas como Educação Física, Psicomotricidade ou Artes, por exemplo), é inevitável que os alunos estabeleçam uma relação mais intensa e pessoal com as professoras regentes, com as quais passam a maior parte do tempo. Sentir insegurança ao perder a figura-âncora do processo educacional até então é nada mais que natural.

Mas, além do fator emocional, há questões práticas envolvidas nessa mudança. A partir do 6º ano, o tempo em sala de aula do professor passa a ser estritamente voltado para a sua disciplina. O aluno não tem mais a chance de, eventualmente, tirar dúvidas sobre o conteúdo de uma aula dada horas antes; o professor não pode mais readequar seu plano de trabalho se sentir que deve avançar um pouco com o conteúdo de Matemática dentro do horário de Português. A agenda é muito mais complexa e rígida – e os alunos têm de se adaptar a ela.

projeto travessia vital brazil 2

“Há muito mais momentos distintos num só dia de aula. Cada aula é um assunto novo. Por isso a necessidade de foco é bem maior”, diz Cristina Campos, coordenadora assistente do Fundamental II. Foco e organização, para dar conta de uma quantidade de materiais didáticos também maior, com cadernos e livros específicos para cada disciplina – de preferência, sem a ajuda dos pais na hora de arrumar a mochila do dia seguinte, um dos pontos-chave na aquisição da autonomia do adolescente.

“É normal, portanto, que eles apresentem algumas dificuldades no começo; uma leve queda na média, por exemplo, pode ser notada em alguns alunos nessa fase. Quem tirava notas 9 ou 10 passa a tirar 8 ou 9”, diz Cristina. “Mas isso é coisa de um ou dois meses, logo depois se recupera”.

Porque, no fundo, afirmam Roberto e Cristina, o Fundamental II não exige dos alunos mais do que eles são capazes de dar. Até porque, como nota o coordenador, o Vital Brazil já existe há tempo suficiente para que pelo menos 80% dos alunos do 6º ano sejam egressos do Fundamental I do Colégio, acostumados com uma rotina intensa de estudos e um alto nível de exigência de autonomia e responsabilidade.

A questão crítica do Projeto Travessia, assim, é desmistificar algumas questões e tranquilizá-los quanto ao que está por vir. A começar pela dúvida sobre o novo coordenador: ele é muito bravo?

Sem medo e sem mistério

Sentados no chão do pátio interno do Vital Brazil, os alunos do 5º ano são apresentados por Teresa Santos, coordenadora pedagógica da Educação Infantil e do Fundamental I, aos seus novos coordenadores: Roberto Leal e Cristina Campos. Roberto repete as palavras que usa todo ano: “Eu faço uma explanação das principais diferenças e expectativas. Digo que eles vão precisar de mais organização, que vão precisar ‘andar mais sozinhos’, que a rotina de estudos, se já era importante, vai ser mais ainda”. E que não há motivos para ter medo.

“É verdade, eles perguntam se eu vou ser mais bravo que a Teresa”, diz Roberto, sorrindo. “Eu costumo dizer que, se eles se comprometerem com os estudos, se tiverem esse foco e essa organização, não terão dificuldades. E que, mesmo assim, se tiverem dificuldade, eu e a Cristina estamos aqui para ajudá-los”. Para Roberto, a mensagem é tranquila porque “os alunos do Vital entendem desde cedo a diferença entre autoridade e autoritarismo”. O caráter gentil e afável do coordenador não passa despercebido. “Vai ser bacana, a gente vai conversar sobre outras coisas além dos estudos, sobre projetos, sonhos… Vai ser muito legal!

O encontro com os coordenadores não é o único momento de alívio. O Projeto Travessia inclui, ainda, um encontro da turma do 5º ano com alguns alunos do 6º, para uma conversa entre semelhantes. “A ideia é tirar o peso, mostrar com testemunhos reais que não tem mistério”, diz Cristina. “É muito interessante ver os mais velhos dando dicas bem práticas, como: ‘Quando o professor falar algo importante, anotem e passem o marca-texto’ ou ‘Revisem o assunto da aula no dia da aula mesmo’”.

E, se ainda houver dúvidas sobre o ritmo e a dinâmica que os novos professores imprimirão ao dia a dia escolar, o Projeto Travessia também conta com uma aula experimental que algum professor do Fundamental II dá aos alunos do 5º ano. “Pode ser de qualquer disciplina; a ideia é seguir o plano normal de uma aula típica do 6º ano, para eles sentirem como é”, diz Roberto. Em 2016, foi a vez da professora de Ciências Priscilla Issuani dar essa prévia do que serão os próximos quatro anos de vida da turma. Sem grandes dificuldades, sem mistério, sem medo.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: