Dominando o jogo da Matemática

Dominando o jogo da Matemática

Colégio Vital Brazil

24 Outubro 2016 | 13h44

Imagine participar de um jogo do qual você não conhece as regras. Imagine, por exemplo, disputar uma partida de xadrez sem entender por que a rainha é a peça mais valiosa ou qual a diferença entre xeque e xeque-mate. Jogar pôquer sem ser apresentado às cartas do baralho. Entrar em campo sem que lhe expliquem a regra do impedimento. Não deve ser agradável, e você não terá chances de sucesso.

matematica

Para Mariana Mathias, essa é a provável razão pela qual as escolas costumavam afastar tanta gente da Matemática. Professora do 4º ano e assessora de Matemática do Ensino Fundamental I do Vital Brazil, Mariana enxerga a disciplina como um conjunto de padrões e regularidades – um conjunto de regras – que o homem tem de conhecer para manejar o universo dos números e grandezas. Como nem sempre as regras eram tornadas claras nas aulas tradicionais, o desafio, é claro, era bem mais difícil.

Ela dá um exemplo: por que, na tabuada do 9, os algarismos na posição das dezenas aumentam de um em um, enquanto na posição das unidades eles diminuem de um em um (9, 18, 27, 36…)? Porque somar 9 a qualquer número é sempre acrescentar uma dezena (+10) e retirar uma unidade (-1). Da mesma forma, argumenta a assessora, o professor de Matemática deve ajudar o aluno a perceber e a compreender diversas outras regularidades, como a tabuada do zero – não importa quantas vezes se multiplica o nada (0), o resultado será sempre nada (0) – ou a tabuada do 2 – todo número multiplicado por 2 é um número par, por definição.

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Estratégias para ensinar e para vencer os desafios

“Por que a Matemática era considerada ‘chata’ e ‘difícil’? Porque a sua lógica não era mostrada. Era só decorar, sem entender as regras do jogo”, diz Mariana, que não usa a palavra “jogo” por acaso. Para ela, não é só o fato de haver regras o que aproxima a Matemática de um jogo – como um jogo, a Matemática pode ser também divertida.

Em sua função de assessora, Mariana ajuda outras professoras do Fundamental I a desenvolver jogos cujas regras são, por natureza, matemáticas. E os alunos, se quiserem vencer esses jogos, precisam dominá-las. “A estratégia da ludicidade dá ao aluno motivação e prazer em aprender conceitos que serão muito úteis para ele”.

É o caso do Jogo das Tartarugas, que, aplicado nas séries iniciais do Fundamental, exige dos alunos o conhecimento da adição e até um entendimento mínimo de probabilidade – mesmo que ainda não utilizem o termo. Basicamente um jogo de corrida em tabuleiro, a ideia é que cada aluno escolha uma entre doze tartarugas numeradas de 1 a 12. A cada rodada, lançam-se dois dados; a soma dos dados indica qual tartaruga avança uma casa. O que parece inicialmente apenas um jogo de sorte logo se revela mais complexo: afinal, quais as chances de a tartaruga 1 avançar, quando a mínima soma possível entre dois dados é 2? “Aos poucos, eles vão percebendo que as tartarugas com mais chances de vencer são as do meio: a 7, depois a 6 e a 8, assim por diante”, diz Mariana.

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Isso é importante: “eles vão percebendo”. Segundo a assessora, a didática utilizada enfatiza que os alunos tirem suas próprias conclusões sobre os jogos. “Qualquer jogo é trabalhado em cinco fases. A primeira é a de apresentar as regras aos participantes. A segunda é a do jogo propriamente dito. A terceira é a do registro sobre o jogo: o que aconteceu? Como se pode melhorar um resultado? (Escolhendo outra tartaruga, por exemplo.) A quarta é a de jogar novamente, para testar essas hipóteses. E a quinta é a fase de atribuir sentido ao jogo: o que eu aprendi da Matemática?”.

Os jogos matemáticos utilizados por Mariana e suas colegas acompanham os conteúdos pedagógicos ensinados ao longo do Fundamental I. Se no 2º ano os alunos ainda estão aprendendo o sistema decimal com o Jogo dos Palitos – com tarefas como “juntar três unidades (palitos)” ou “juntar duas dezenas” –, nas séries seguintes os desafios vão aumentando, com jogos como o Dominó da Tabuada ou o Jogo “Eu Tenho, Quem Tem” (ver fotos abaixo), que trabalham multiplicações.

O interessante é que, ao terem um objetivo para entender as regras matemáticas (vencer os jogos), os alunos são levados a desenvolver estratégias que consolidam o aprendizado. Um aluno pode, por exemplo, descobrir que os produtos da tabuada de qualquer número (digamos 3: 3, 6, 9…) somados aos da tabuada de outro (digamos 4: 4, 8, 12…) sempre correspondem à tabuada da soma dos dois números (no caso, 7: 3+4=7, 6+8=14, 9+12=21…). “Quando percebe isso, o aluno descobre que pode operar com números maiores a partir de números menores, com os quais ele sente mais segurança”. Conhecer as regras, afinal, melhora qualquer jogador.