Dilemas no laboratório

Dilemas no laboratório

Colégio Vital Brazil

28 Junho 2017 | 10h48

Aluna de Biomedicina da Unifesp fala de sua participação em projeto de pesquisa sobre Doença de Parkinson.

Giovana Gonçalves Gallo está no terceiro ano de faculdade e enfrenta seu primeiro dilema profissional. Ela entrou no curso de Biomedicina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) em 2015. Em pouco tempo, tornou-se bolsista de iniciação científica, colaborando com um projeto da professora Regina Helena da Silva, responsável pelo Laboratório de Neurociência Comportamental. Regina estuda a Doença de Parkinson (DP) – mais especificamente, ela tem buscado validar modelos animais para pesquisas sobre DP.

“Para o estudo de algumas doenças e tratamentos, é necessário o uso de animais experimentais”, explica Giovana. Na pesquisa em questão, tratam-se de ratos. Ela diz que três critérios definem um modelo animal válido para pesquisa: que os animais apresentem sintomas semelhantes aos dos humanos (no caso, deficits motores e cognitivos); que tais sintomas tenham a mesma causa etiológica (perda progressiva e irreversível de neurônios dopaminérgicos); e que os animais afetados respondam de forma similar a humanos ao mesmo tratamento (à base de L-DOPA, hoje o fármaco mais utilizado na clínica). O modelo animal do laboratório já havia atendido aos dois primeiros critérios; faltava testar se ele reagiria à L-DOPA. Foi onde Giovana entrou.

Ao longo de um ano, Giovana ajudou a professora a testar a hipótese. “A ideia não era testar o remédio, mas o modelo animal”, esclarece. Ela explica que, embora a eficácia da L-DOPA seja conhecida, um modelo continua sendo necessário para novos estudos. “Até porque a L-DOPA atenua os sintomas, mas não cura a doença”. Se o modelo é validado, porém, pode-se usá-lo para entender melhor as causas da doença e, quem sabe, encontrar formas de preveni-la ou curá-la.

A pesquisa foi ao encontro do que Giovana buscava ao escolher a área de Saúde: “a possibilidade de ajudar pessoas”. “Foi uma experiência muito relevante para meu futuro profissional e crescimento pessoal”, reconhece a jovem, que pode ser encontrada como GALLO, G. G. no sistema Lattes de currículos acadêmicos, no qual já registra participação em seu primeiro congresso acadêmico, com a apresentação dos resultados de sua pesquisa. Mas o trabalho com animais lhe foi desconfortável. Ainda que todo projeto seja aprovado por um comitê de ética no uso de animais, aquele não pareceu ser o seu caminho. E é esse o dilema.

Hoje, Giovana tem se aproximado, como observadora, de projetos com voluntários humanos nas áreas de cognição e memória. Mas nem sabe mais se quer atuar em pesquisa.

O que ela sabe – e isso é evidente em sua fala – é que se sente preparada para o mundo acadêmico. Atribui ao Vital uma formação acima da média e o desenvolvimento do pensamento crítico. Hábito que pode até fazê-la hesitar de vez em quando, mas que dificilmente interromperá o seu avanço.