Avaliação docente como instrumento de formação continuada

Avaliação docente como instrumento de formação continuada

Colégio Albert Sabin

19 Setembro 2016 | 10h00

“… não existem políticas capazes de melhorar as escolas se as pessoas que lá trabalham não dominarem o conhecimento e as competências de que necessitam.” (Darling-Hammond – 2010).

As palavras de Hammond indicam que a eficácia da educação em geral está centrada, principalmente, em cada professor em particular. Não é novidade que professores bem preparados conseguem lançar mais desafios intelectuais e ajudar o aluno a desenvolver o máximo de seu potencial.

Há uma construção idealizada desse profissional e dos resultados que ele deve produzir. Entretanto, faltam explicitação e critérios que permitam tanto ao professor quanto ao coordenador oferecer uma abordagem objetiva da qualidade e da pertinência do trabalho desenvolvido. Na maior parte das vezes, o coordenador fundamenta seus relatórios na observação e escuta geral dos alunos e das famílias.

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Há diversas formas para identificar e acompanhar o desempenho profissional, uma delas é a avaliação docente em uma perspectiva de fazer uma reflexão acerca de práticas e conhecimentos que podem ser melhorados e também que já estão em um patamar desafiador.

Segundo Fernandes1, “o sistema de avaliação cria uma oportunidade de desenvolvimento profissional que pode contribuir significativamente para melhorar a vida pedagógica das escolas e a qualidade do serviço que prestam à sociedade em que se inserem”.

Assim, nesta época em que os resultados educacionais tornam-se uma exigência e a educação supera um traçado puramente empírico, ou seja, apoiada apenas em experiências vividas e senso comum, a avaliação, de modo geral, torna-se um instrumento essencial para abraçar medidas cientificamente apuradas.

Buscando a origem da palavra “avaliar” no latim (a + valere), que traz no seu significado a ideia de atribuir valor e mérito ao objeto de estudo, é perceptível que diariamente tomamos decisões pautadas em nossos conhecimentos, e podemos dizer que quanto maior o conhecimento, mais aprimorada e criteriosa fica a análise e a tomada de decisão frente às situações que nos são desveladas.

A avaliação docente, nessa abordagem, funciona como feedback do trabalho do professor durante o período letivo. Com isso, muitas vezes, ocorre a orientação de forma objetiva e pontual sobre as expectativas de seu desenvolvimento profissional. Em muitos casos, o processo de seleção de professores não oferece subsídios para garantir que o profissional poderá adaptar-se e responder às expectativas da instituição, bem como garantir que a instituição corresponderá aos anseios do professor. Faz-se necessário lembrar que a formação docente é um processo contínuo e permanente, por conseguinte, a avaliação também deve sê-lo.

Avaliar envolve escolhas e julgamentos a partir de critérios que permitam traduzir quais os valores desejados. A começar pelo nível de formação e experiência do professor, a avaliação deve incluir características gerais da “personalidade” que virão ao encontro das relações impostas pelas atividades educacionais: relação com os alunos, com os pares, com a comunidade e com o próprio campo de conhecimento.

A avaliação de desempenho docente é um tema que pode subsidiar alguns pressupostos. Segundo Romero2, quando bem preparada, sabendo o que se pretende avaliar e com critérios bem definidos, a avaliação docente fornece subsídios para importantes decisões posteriores, como:

a) Melhoria no desempenho: oportunizando a intervenção com ações específicas;

b) Necessidade de treinamento e desenvolvimento: a avaliação dá informações sobre quais áreas precisam de treinamento e formação, de forma mais direta;

c) Plano de Carreira: orienta as decisões evitando parcialidades e discriminações;

d) Retorno para o processo de seleção: possibilidade de ajudar na contratação de profissionais que atendam ao perfil desejado pela instituição.

e) Avaliação institucional: diante da avaliação dos profissionais, obtém-se um perfil global do desempenho da instituição, que pode auxiliar na elaboração de projetos de aprimoramento do que se fizer necessário.

Esse instrumento deve ser útil à revisão da própria prática, atualização constante dos conhecimentos necessários para a docência e de conhecimentos de diferentes naturezas, de forma que essas mudanças, vividas, sejam compreendidas e contextualizadas.

A avaliação é importante durante todo o processo educativo, porém só será eficaz se for um constante trabalho de ação-reflexão-ação.

Assim podemos dizer que o resultado final de uma avaliação que considera o professor, o desenvolvimento e o aperfeiçoamento profissional como focos, visa à melhoria do processo de aprendizagem do aluno, que é o maior objetivo de isso tudo acontecer.


1 Fernandes, Domingos – Avaliação do desempenho docente: desafios, problemas e oportunidades – Texto Editores – 2008.

2 Romero, Sonia M. Thater – A avaliação de desempenho como instrumento de capacitação docente dos cursos de graduação.

Solange Frasca

Coordenação Pedagógica do Ensino Médio.