As diversas conquistas do Xadrez

As diversas conquistas do Xadrez

Colégio Vital Brazil

21 Março 2016 | 13h12

José Antonio Rosa passou oito anos de sua vida como enxadrista profissional, vivendo de disputar torneios nacionais e internacionais de Xadrez. Também sempre deu aulas particulares para enxadristas aspirantes, alguns dos quais conquistaram um bom número de vitórias, no Brasil e no exterior, tendo-o como treinador. Não foi isso, porém, que o trouxe ao Colégio Vital Brazil. Professor das turmas do 2º ao 5º ano do Ensino Fundamental – que têm o Xadrez como disciplina obrigatória –, José Antonio não está no Vital para formar campeões, mas para contribuir para o desenvolvimento cognitivo, socioemocional e ético de seus alunos.

“É comprovado que o Xadrez promove uma série de habilidades, como a atenção, a concentração, o poder de análise e decisão, a capacidade de antecipação e planejamento”, enumera o professor. Ele ainda poderia citar a influência positiva do jogo sobre a criatividade, a paciência, o autocontrole, a determinação em evoluir, entre outras competências fundamentais. Isso sem falar no que o Xadrez, como os esportes em geral, promove de valores, como a honestidade e o respeito ao outro: “Em minhas aulas, por exemplo, sempre insisto para que, antes de cada partida, eles cumprimentem o colega adversário”.

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Despertando o interesse pelo jogo

Antes de tudo, porém, é preciso apresentar o jogo aos alunos. “No 2º ano do E. Fundamental, de 80% a 90% deles não sabem absolutamente nada de Xadrez”, estima o professor. Mais do que conhecer as regras, José Antonio precisa fazer com que seus primeiros alunos – crianças de 6 e 7 anos de idade, acostumadas a atividades bem mais modernas do que um jogo criado há mais de 1.500 anos – se interessem pelo Xadrez. Seu método, até hoje, tem dado certo:

“No início do ano, eu conto uma lenda sobre a origem do Xadrez”, diz o professor. Ele se refere à história do sábio de um antigo reino que, tendo inventado o jogo, apresenta-o ao rei. Encantado, o monarca decide recompensá-lo com o prêmio que ele desejasse. A resposta do sábio apenas parece modesta: um grão de trigo pela primeira casa do tabuleiro, dois pela segunda, quatro pela terceira, e assim sucessivamente, em progressão geométrica, até a 64ª casa. “O total chega a quintilhões de grãos de trigo”, diz José Antonio, que gosta de ver até onde os alunos conseguem calcular a imensa quantia. “Já tive uma aluna que calculou até 8.192!” (A propósito, o pedido exato do sábio é de 18.446.744.073.709.551.615 grãos de trigo.)

“Essa história é uma das formas de eles se apaixonarem pelo jogo”, diz o professor. “Eles comentam sobre a lenda durante o ano inteiro”. Mas essa não é a única estratégia de que ele dispõe para tornar o aprendizado do Xadrez mais lúdico e interessante.

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Muito além do xeque-mate

Ao longo do Fundamental I, o planejamento do professor atribui às turmas metas progressivamente mais complexas, com atividades diversificadas que ajudam a exercitar diferentes habilidades. O objetivo do projeto, como se vê, vai muito além do xeque-mate.

No 2º ano, os alunos devem terminar o ano sabendo movimentar as peças corretamente, conseguindo capturar peças adversárias e dando os primeiros xeques. No 3º ano, já devem ser capazes de ganhar um jogo por xeque-mate, por disputa de tempo (com o recurso de relógios, que impõem novos desafios à agilidade de raciocínio e ao autocontrole emocional dos alunos) ou por erro do adversário ao movimentar suas peças (três movimentos errados levam à derrota).

Já no 4º ano, eles aprimoram suas técnicas e ampliam seu vocabulário e repertório de conhecimentos sobre o jogo, aprendendo termos como “roque”, “captura en passant” e “promoção (ou coroação) do peão” e a origem de cada peça do Xadrez moderno. Por fim, no 5º ano, mais do que resolver desafios, os alunos já compõem, eles próprios, novos desafios: “Por exemplo, eles inventam uma disposição de peças no tabuleiro de forma que, com um movimento apenas, as brancas possam colocar o rei preto em xeque-mate”, explica o professor. “O nível de complexidade exigido para você criar um problema válido é grande, e eles são capazes disso”. Prova disso é que o professor chega a aproveitar alguns desafios criados por seus alunos do 5º ano como exercícios para os mais novos.

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José Antonio cita ainda os benefícios de outras atividades que fazem sucesso entre os alunos, como o Xadrez Gigante, que faz uso do tabuleiro pintado no chão da sala: “Divido as turmas em dois times, para que eles experimentem analisar o jogo e traçar estratégias coletivamente, num exercício de trabalho em grupo e de respeito à opinião do colega”. Ou, ainda, o Xadrez de peças inventadas, em que os alunos dão asas à imaginação, criando peças como dragões e bruxos, cada uma com movimentos e poderes específicos: “Eles podem criar à vontade, desde que as peças façam sentido em uma estrutura de jogo, com regras e limitações” – não vale, por exemplo, criar uma peça invulnerável e de poderes ilimitados.

O resultado de tudo isso? Embora seja difícil de mensurar, José Antonio não tem dúvidas: “Talvez as famílias sejam o melhor termômetro para medir o desenvolvimento dos alunos ao longo dos anos, principalmente no que diz respeito às competências socioemocionais. E eu sempre ouço de diversos pais como o Xadrez tem ajudado seus filhos a se tornarem mais concentrados, mais aplicados e mais organizados nos hábitos de estudo”.