A caloura de Vital Brazil

A caloura de Vital Brazil

Colégio Vital Brazil

13 Novembro 2018 | 10h00

A ex-aluna que seguiu os passos do patrono do Colégio

Um dia, ao chegar ao estágio obrigatório do terceiro semestre de faculdade, Anna Carolina Delbem Gugliotti foi impedida de entrar. “Disseram que não podiam garantir minha segurança”, diz a universitária. Carol, 21, formada na primeira turma de concluintes do Vital Brazil, em 2014, faz Medicina na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), que tem, entre as disciplinas obrigatórias, Atenção Integral à Saúde. O programa prevê expediente em Unidades de Saúde da Família ligadas à instituição. Carol foi alocada na comunidade da Penha, onde, além de já ter sido barrada, chegou a ver policiais correndo pelas ruas com fuzis. “Mas as experiências mais impactantes que eu tive nessa disciplina foram aquelas com as crianças e as visitas domiciliares”, diz a paulista, que abraçou o Rio com força. “Essa é uma das melhores matérias do ciclo básico da graduação. A experiência é única”.

A UFRJ foi apenas uma das oito universidades públicas em que a estudante foi aprovada em 2016. Ela conquistou a vaga graças à sua nota no Enem de 2015 – em 2014, chegou a ser aprovada na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), mas preferiu fazer mais um ano de cursinho e tentar uma faculdade mais perto. Escolheu o Rio de Janeiro pela beleza da cidade e pelo histórico do curso da UFRJ, que, hoje com 210 anos, tem em sua galeria de veteranos o médico e cientista Vital Brazil (1865–1950), patrono de seu antigo colégio.

Carol diz que fazer parte da primeira turma de formandos do Vital ampliou a responsabilidade. “A escola é exigente, e eu também me cobrava, de um jeito saudável. Queria ir bem nas provas para o Vital ficar ‘lá em cima’ e o trabalho de todo mundo ser reconhecido. Era uma maneira de mostrar a gratidão que sentia. Os professores sempre me deram muito apoio: o [João Batista] Petucco, o [Marcelo] Barão, o Fernando [Ribeiro], o Paulo [Guilherme Campos], que até chamo de padrinho”, diz a garota, que sempre quis ser médica. “Quando pequena, pensava que, se não fosse médica, seria astronauta. Com o tempo, percebi que a Medicina era mais meu perfil e que ficar na Terra era minha prioridade”.

Saudável, Carol continua a ser. A rotina é de amigos e festas – “é muito gostoso sentar em um bar com vista para os Arcos da Lapa, ou na Mureta da Urca, olhando para o Cristo e para a praia do Botafogo” –, mas também de provas e matérias práticas que mudam a visão de mundo e a consciência social da futura médica. No quinto período da graduação, ela já faz planos para a vida pós-UFRJ. “Penso em passar um tempo em Portugal depois de terminar a faculdade, já que o meu diploma é automaticamente validado lá. Mas apenas para experimentar outros ares. Depois, quero trabalhar no SUS (Sistema Único de Saúde) e devolver à sociedade o investimento que ela fez em mim. O aluno de Medicina é o mais caro do País”.