Ouvir as crianças faz toda a diferença

Ouvir as crianças faz toda a diferença

elvira

16 Outubro 2015 | 17h26

A criança possui um potencial muito grande e importante, e desde bem pequena é capaz de se relacionar, de estabelecer critérios de escolhas, de construir e compartilhar conhecimentos e assim fazer verdadeiros intercâmbios de aprendizagem.

Segundo Manuel Jacinto Sarmento, diretor do Centro de Educação da Universidade do Minho, em Portugal, “os estudos têm dito há 20 anos, de maneira enfática, que os pequenos necessitam ser conhecidos em sua verdadeira realidade.”

Vivemos numa sociedade que vai ao extremo em suas concepções sobre a infância. Ora a criança deve ser submetida a critérios rigorosos de controle, ora ela deve ser vista como um ser de direitos, que precisa ser respeitada em sua totalidade.

A Escola Villare acredita na criança como uma verdadeira interlocutora no processo de aprendizagem, e assim a enxerga como protagonista de seus saberes e de suas descobertas. Nesse contexto o educador tem um papel importantíssimo, pois realiza uma escuta atenta, com todos os sentidos e emoção, desafiando a criança constantemente a colocar à prova suas hipóteses.

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A escuta, permeada de atenção e sensibilidade, tira a criança do anonimato e legitima seus saberes, o que amplia as condições para estimulá-la a se comunicar e viver as relações. E assim, confronta as suas estratégias até concluir que determinado conhecimento está satisfatório para aquele momento.

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Isso, portanto, não significa que todo o conhecimento construído em grupo ou individualmente seja imutável. Ele pode sofrer alterações e se modificar à medida que a criança se relaciona com a informação.

As crianças são diferentes! Percebem as coisas de formas diferentes, a partir de seus caminhos, seus corpos e seus conhecimentos, igualmente distintos. O percurso a ser trilhado por cada criança deve ser estimulado e sempre respeitado. É essa concepção de trabalho que a Escola Villare pratica e valida!

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Trecho de uma discussão de crianças de 4 anos

Uma amiga trouxe para a escola uma joaninha que apareceu em sua casa.

O que podemos descobrir sobre ela? (educadora)

“Mas como então ela foi aparecer na sua casa?” (criança 1)

“Eu acho que ela se assustou com os fogos da rua e então foi voando até a minha casa e como a janela estava um pouco aberta ela entrou!” (criança 2)

“Quantas pintinhas será que ela tem?” (criança 3)

“Acho que umas cem!” (criança 1)

“Não! Se fosse cem, ela teria que ser enorme!” (criança 2)

“Acho que ela tem oito!” (criança 2)

“Oito é menos que cem, então pode ser!” (criança 3)

 

Cilene Iatalesi Ferrari

Coordenadora Pedagógica – Educação Infantil