Escola é lugar da pergunta e da investigação

Escola é lugar da pergunta e da investigação

elvira

09 Setembro 2016 | 17h32

Pensar o conhecimento a partir de uma atitude investigativa é o que desejamos que as crianças aprendam a fazer desde cedo na escola.

Desejamos que desde muito pequenas olhem o mundo ao seu redor e tenham perguntas sobre ele. Encantem-se com mistérios da natureza, consigam observar detalhes nas miudezas do chão: folhas, gravetos, pequenas rochas, animaizinhos que provocam incertezas.

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Desejamos que as perguntas mobilizem as crianças a investigar a realidade. Que se reconheçam pertencentes a um lugar e se impliquem perante as mudanças e a defesa de permanências necessárias. Saibam assim reconhecer-se como agentes de transformação.

Desejamos que as crianças proponham formas de investigar o que lhes aguça a curiosidade. Que planejem registros e os comparem, que documentem suas observações fazendo uso de ferramentas tecnológicas e que as dominem para ir mais fundo em suas conclusões.

Desejamos que as crianças aprendam também a argumentar em favor de suas verdades iniciais, aprendendo a elaborar hipóteses. Que reconheçam diferenças nas ideias dos outros e que componham propostas de ação contemplando novas possibilidades de pensamento.

Neste sentido, pretendemos uma escola que mantenha aquecidos esses processos de construção do pensamento científico, mobilizando o desejo da busca, a curiosidade, a inquietude. Uma escola que compreenda seu importante papel como provocadora de encontros entre as crianças e a multiplicidade de pesquisas abertas e disponíveis diante do mundo que nos cerca e que insiste em ser (re)conhecido.

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Na Villare, entendemos que a escola deve se converter em espaço de pesquisa, sobretudo. Aqui provocamos olhares para que as crianças tenham muitas oportunidades de construção do pensamento científico. Tudo isto porque pensamos continuamente no mundo que ajudamos a construir.

Reconhecemos que a humanidade enfrenta grandes desafios no fornecimento suficiente de água e alimentos, no controle de doenças, na geração de energia e na adaptação às alterações climáticas (UNEP, 2012). Como adultos, nem sempre nos sentimos preparados, porém, para interpretar tais questões que impactam o mundo hoje, bem como a complexidade existente entre a solução dos problemas  globais e nosso modo de vida nas grandes cidades.

É de fundamental importância, portanto, que a escola contemple em seu currículo situações que permitam o desenvolvimento do pensamento científico, dando condições para que as crianças, progressivamente, aprendam a participar de discursos fundamentados sobre ciência e tecnologia- competência necessária para a construção de um futuro melhor.

Nosso trabalho visa também garantir que as crianças sejam capazes de explicar fenômenos cientificamente, planejar investigações científicas, bem como interpretar evidências tirando conclusões apropriadas. Planejar esta formação na escola é garantir a construção do que se denomina letramento científico.

A formação de uma atitude investigativa perante o conhecimento não é tarefa exclusiva da disciplina de Ciências. É um valor em um projeto pedagógico sustentado em ações promotoras da cidadania.

Curiosas investigações nascem em uma escola que provoca a pergunta e se mobiliza para a formação do pensamento científico. São muitas trajetórias que as crianças inauguram ao ter ao seu alcance materiais e provocações para ir além em suas indagações sobre o mundo.

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É este lugar que desejamos construir: uma escola onde habita a pergunta, a curiosidade e a investigação.

 

Ligia Colonhesi Berneguel
Diretora do Fundamental I
Escola Villare

 

OECD PISA 2015 – Programa Internacional de Avaliação de Estudantes Matriz de Avaliação de Ciências

UNEP. (2012). 21 Issues for the 21st Century: Result of the UNEP Foresight Process on Emerging Environmental Issues. United Nations Environment Programme (UNEP). Nairobi, Kenya.