Vestibular vem aí

Estadão

25 Outubro 2011 | 08h00

Para muitos estudantes ele está logo ali. Chega essa época (outubro, novembro) e o pessoal logo esquece o tão sonhado Porto Seguro pra lembrar que a vida vai se decidir numa prova. O que eu acho estranho é o fato de todos os textos, conversas e notícias sobre esse tema serem tão pessimistas e com a ideia de colocar cada vez mais a responsabilidade do aluno em estar dentro de uma faculdade no ano que vem. Vestibular sempre foi assim, e sempre será: todos falando e cobrando aos alunos e a si mesmos o dever de passar. Não acho que esteja errado, uma vez que sua vida realmente depende dele, mas acho que muitos estudantes já ouviram tanto sobre isso que já estão cansados de saber sobre seus deveres. Então por que não fazer um texto abordando o outro lado da moeda?

Imaginem um jogador de futebol prestes a bater o pênalti final da Copa do Mundo. As chances de acertar um pênalti são grandes, entretanto, quanto mais pressão estiver sobre seus ombros, mais chances você tem de errar, certo? Acho que as pessoas tem que passar a mostrar pra todos os alunos do ensino médio que não passar no vestibular não é coisa de
outro mundo. Claro, passar nele significa algo indescritível. Mas há um outro lado que comumente não é mostrado a estudante nenhum.

Meu ponto é: alunos que entram com 17 anos são felizardos, mas alunos que entram depois tem, de modo geral, uma maior maturidade pra enfrentar a faculdade, além de mais tempo para decidir para que curso deve prestar de fato. Ser precoce torna a formatura precoce. Fazer cursinho significa conhecer gente nova, ter uma outra visão do conteúdo dado e ter tempo para se preparar psicologicamente pra uma nova fase.

Não vou negar que passar direto do colégio não seja bom. Pelo contrário, é o melhor caminho. Entretanto é bom mostrar para os vestibulandos que o mundo não vai acabar se eles não passarem direto, pois eles também terão uma fase de grande importância a seguir. Passar no vestibular requer muito mais que conhecimento: requer também, além de outras
muitas coisas, habilidade para lidar com a pressão, concentração e maturidade, e nem todos estão preparados para todas essas mudanças.

Talvez se parássemos de colocar tanta pressão cada jogador se sentisse muito melhor pra cobrar esse pênalti, não acham?

Wilhelm Kroskinsque é aluno da graduação em Física na USP