Um lugar chamado ‘Cidade Universitária’, parte 1

Estadão

18 Agosto 2010 | 11h18

O nome “Cidade Universitária” para o câmpus paulistano da USP não é exagero, nem remete a qualquer possível megalomania uspiana.

O local faz jus a esse nome não só porque tem 4 km² com grandes ruas, faróis, quarteirões, pontos de ônibus e até um prefeito próprio, mas porque a sua composição é bem abrangente e o seu ritmo, bastante frenético.

O câmpus engloba, ao todo, 19 unidades de ensino e 4 institutos das mais diversas áreas. Muitas pessoas dizem que é só você atravessar uma rua na USP e entrar no quarteirão da outra unidade que parece que você está num mundo novo. Por exemplo, saindo da Escola de Comunicações e Artes (ECA) em direção à Faculdade de Economia e Administração (FEA), parece que o estilo dos alunos, a estrutura dos prédios, o clima do ambiente e até mesmo o preço das lanchonetes é (bem) diferente!

Na Escola Politécnica, a Poli, as carteiras dos alunos são dispostas em inúmeras fileiras compridas, revelando a predominância de aulas expositivas. Já no prédio de Jornalismo da ECA, as cadeiras aparecem em semicírculo para, supostamente, instigar a comunicação e a interação.

Por falar em comunicação, se você  andar pela USP e ouvir pessoas que parecem falar em outra língua, não se assuste, você não está bêbado! Há diversos intercambistas, e é bastante normal você assistir a aulas com suíços, africanos, espanhóis e latino-americanos. Além dos idiomas diferentes, todos os sotaques brasileiros estão presentes por lá: carioca, mineiro, baiano, capixaba, sulista e tantos outros que marcam a multiplicidade do caráter uspiano. Mas aos cariocas é sempre feita a recomendação por parte dos paulistas de que “USP” não é com “X”.

Uma curiosidade é que a USP possui uma rede de ônibus circulares que ficam percorrendo todos os institutos para salvar quem não tem carro e precisa ir ao prédio ao lado fazer alguma matéria optativa. Só que o problema é que eles aparecem quando você menos imagina e, justamente quando você mais precisa e está atrasado, eles resolvem dar uma circulada em outro lugar. Cuidado! É muito normal os circulares abrirem as portas quando ainda estão em movimento.

Aos finais de semana, além de alunos, você encontra por lá gente aproveitando o verde para fazer cooper, ginástica, yoga, ciclismo – acredite, eu já vi gente até tentando esquiar nas ladeiras da USP!

Não estranhe, não, é comum até os alunos da USP serem obrigados a passar as férias em Júpiter (eu inclusive, mas isso explico depois…).

Leandro é aluno do 1º de Jornalismo da ECA-USP

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