Rendendo-se à literatura

Estadão

30 Setembro 2010 | 08h00

Quando me sento à mesa para estudar Física, Matemática (essas matérias chatas!), me deparo com a minha estante. Humilde biblioteca. Ali se encontra meu histórico de leitura: Dante, Shakespeare, Machado, Hesse. Para mim, uma leitora apaixonada, cada livro é um caso à parte. A Odisseia, por exemplo, me reporta à 5a série, quando o li pela primeira vez. Lembro-me que a edição tinha um suplemento que facilitava a leitura do livro. E, lendo a aventura de Ulisses, comecei a gostar de História e Literatura numa tacada só.

Quanto maior a carga de estresse, mais eu leio. E li muito esse ano. Dos contos curtos de Moacyr Scliar até o diário de Carolina de Jesus, foram páginas e páginas que me trouxeram um tempinho de relaxamento. Graciliano Ramos, mesmo com gosto de obrigação, continua sendo um dos meus autores favoritos. Lendo Vidas Secas pela terceira vez, o mundo de homens e de papagaios mudos ainda me emociona. Mas Angústia continua sendo meu romance predileto.

Indo além do casal Bentinho e Capitu, procurei outros textos de Machado. Descobri o belíssimo conto Filosofia de um par de botas, e também redescobri A Cartomante, que eu havia lido na 8a série.

Há ainda uma porção de livros não lidos na minha estante. Martins Pena, Steinback, Saramago… Quando terei tempo para lê-los?

Enfim, a única coisa que o vestibular não conseguiu me tirar é o gosto pela leitura. Sempre irei me deparar com a minha estante, que é, como no poema de Homero, um canto das ninfas do mar. É por isso que, na odisséia do vestibular, às vezes eu acabo perdendo. Calorimetria e matemática financeira não são atraentes como a literatura. Não me amarrando completamente à obrigação, acabo por não enfrentar esses monstros das Exatas. E aí, não tem jeito. Acabo por me render totalmente a elas…

Bianca estuda por conta própria para entrar em Letras

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