Quando a rotina rouba a nossa personalidade

Estadão

20 Setembro 2010 | 08h47

A rotina de um estudante é feita de tantas dúvidas quanto a de qualquer outro ser nesse mundo. E na semana passada sofri uma “crise existencial pós-graduação”, se é que isso existe.

Preciso começar. Mas como? Por onde? Por que? Por quem? E quando terminar o trabalho?

Isso realmente estava me preocupando. Afinal, não é qualquer coisa que me tira o sono. Pior: essas dúvidas têm tirado o meu bom humor, o que é ainda mais grave.

É normal as pessoas pensarem que tudo isso vem da rotina e da pressão intensa que todos os estudantes sofrem. Acho que eu também pensaria o mesmo. Mas, aos 24 anos, vi-me em conflito com minhas próprias escolhas. Será que foram reais escolhas ou simplesmente obriguei-me a fazer o que era PRECISO fazer e acabei deixando o que eu QUERO para depois e depois e depois e depois? E se esse depois não chegar nunca mais?!

Nesse momento, eu queria uma certeza, entendem? Mais ou menos algo que diga, ou melhor, afirme: ‘continue assim, exatamente como está fazendo, e quando terminar suas obrigações ou aquilo que você chama de fazer o que é preciso, você será recompensada. Pode relaxar porque você terá muito tempo para querer o que você quiser!

Bem, a parte chata disso é que só uma vidente me faria esse favor e analisando custo, confiabilidade e benefício… Não, não dá.

Pensando melhor, vou manter a minha estratégia. Mas alguém tem algum daqueles creminhos anti-idade? Só pra garantir…

Mariana é enfermeira e pós-graduanda da USP

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