Opinião fast-food

Estadão

13 Outubro 2011 | 11h48

Todo vestibulando sabe a importância de fazer uma boa redação no vestibular; metade da nota, geralmente, vem dessa avaliação. Mas se o vestibular já é um processo um tanto quanto desumano, a redação, por si só, não fica muito atrás.

A exemplo utilizemos a dissertação, forma de redação mais utilizada pelas instituições de ensino; numa dissertação é preciso argumentar sobre algum assunto, fazendo com que o leitor entenda o seu raciocínio. É preciso defender uma tese, e geralmente tenta-se convencer o leitor.

No entanto, sabemos que para ter bons argumentos é preciso conhecer o assunto do qual se fala; uma opinião é formada a partir do conhecimento do objeto e, mais importante ainda, a partir do amadurecimento desse conhecimento.

No vestibular, quase sempre, nos deparamos com temas dos quais não temos opinião formada. Então, em cerca de 1h30 precisamos ler e analisar uma coletânea de textos, formar ali mesmo, com base no que foi lido, uma opinião sobre o assunto e defender essa tese da melhor forma possível. O problema é que uma opinião não se forma em quinze
minutos.

Há outro problema. Escrever não é algo que se faça com tempo determinado; é necessário trabalhar as palavras, ler e reler o que foi escrito, organizar as idéias, lapidar o texto. Quando escrevemos uma carta, outro tipo de redação, não o fazemos em quinze minutos; o mesmo se pode dizer de uma narração. E além do tempo que se gasta em formular o texto, ainda há o tempo que se gasta para passá-lo a limpo.

O Enem possui 90 questões e mais uma redação em um dos dias em que a duração da prova é de 5h30. A Unicamp possui 48 questões e 3 redações. O tempo de prova é de cinco horas. Tempo insuficiente para ambos.

Talvez, e apenas talvez, avaliar o candidato com uma redação na segunda fase seja menos desumano, considerando que a 2ª fase tem em média 15 questões por dia e mais uma redação em um deles, e a duração da prova varia entre quatro e cinco horas. É exaustivo responder a varias questões (que ainda que sejam de multiplica escolha, precisam ser analisadas e respondidas tal qual as questões dissertativas) e ainda estruturar um texto. O processo todo é quase, para não dizer totalmente, torturante. Falta vigor psicológico para dar conta de tudo e ainda controlar o nervosismo.

Luiza Nunes é aluna do Cursinho da Poli