O peso da obrigação

Estadão

09 de setembro de 2010 | 09h23

Percebi que, faz alguns dias, ando em estado vegetativo intelectual. Criei este termo para definir o estudo feito sem reflexão e sem vontade. Muito disso deve-se ao peso da obrigação. Tive de interromper meus estudos de francês e filosofia para me dedicar às Ciências Exatas. Também precisei reduzir meu tempo para a literatura, por causa das disciplinas não prioritárias. Não é que eu odeie física ou química. O problema é a forma como essas matérias são abordadas no vestibular: decoreba de conceitos e fórmulas. Tudo muito cansativo.

O peso da obrigação também conseguiu tirar a qualidade dos meus textos. Quando estava no ensino médio, escrevia bem porque não me preocupava com o tempo e com a quantidade de linhas. Agora, no vestibular – e em seus limites – tive de conter o fôlego.

Por isso, decidi rever meu método. A partir desta semana, vou me dedicar à escrita e às Ciências Humanas. Se sobrar tempo, estudo as outras matérias. Farei resumo e análise de cada uma das obras literárias obrigatórias. Quanto às Ciências da Natureza, vou recorrer aos livros paradidáticos. São mais interessantes. Quero também terminar de ler o meu adiado Salinger…

A obrigação pesa muito. Se eu não criar uma maneira prazerosa de aprender, acabo morrendo esmagada pelos livros.

Bianca estuda por conta própria para entrar em Letras

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