O médico e o… jornalista

Estadão

11 Agosto 2010 | 09h13

Uma das questões mais polêmicas da minha vida que já me obrigou a apresentar milhares de justificativas pra muita gente é: “Por que, tendo sido aprovado no curso de Medicina da Unifesp, escolhi fazer Jornalismo?”.

Sei que soa bem estranho… Parece querer torcer para Corinthians e Palmeiras ao mesmo tempo. Mas, antes que você me chame de louco, doido ou tantas outras palavras que já ouvi algumas vezes, vamos às justificativas.

Num passado remoto, um dos desejos mais fortes que me moveram a pensar em ser médico era a vontade de ser justamente o oposto do Dr. House. Queria ser um médico simpático, que gastasse tempo conversando com seus pacientes e que acalmasse mães em desespero.

E era só essa parte da Medicina que me atraía – o lado humano. Já as áreas de pesquisa, a graduação de pelo menos dez anos, ficar plantado em plantões e principalmente as famosas “aulas de anatomia” eram o que me bloqueavam a querer ser um médico por completo.

Foi quando percebi que a rotina médica trazia, na verdade, uma série de burocracias de convênios e outros percalços que me impediriam de ser o médico “legal” que pretendia. Na verdade, nesse remoto sonho, o que me motivava era o desejo de me comunicar com as pessoas (e como geralmente eu falo alto, as enfermeiras do hospital ficariam loucas).

Nesse momento, decidi que faria Jornalismo – uma carreira que sempre admirei, mas que até então nunca havia admitido (ainda mais por causa das polêmicas do diploma). A partir daí, troquei as práticas médicas pelas práticas midiáticas, sem arrependimento. Afinal, muitos estão com os jornalistas debaixo do braço, no computador, na tela da TV e no meio desse povo – por isso é que vivemos na “Era da Informação”.

Um professor da USP, numa das palestras de boas vindas, disse que nossa carreira poderia ser até mais perigosa que a Medicina: “Poderíamos matar uma sociedade inteira” – e os meios de comunicação podem, de fato, cegar, tornar muda e surda uma sociedade. Só que a maioria dos que estão estudando Jornalismo, como eu, não têm esse sentimento de Mr. Hyde. Ao contrário, afirmam sofrer da síndrome de super-homem e querem fazer algo por essa sociedade que pouco escuta, pouco vê e pouco fala.

Não se esqueça: quando você está angustiado, aguardando um médico no consultório, quem é que te faz companhia? Provavelmente, uma revista…

Leandro Carabet é aluno do 1º de Jornalismo da ECA-USP

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