Frutos proibidos

Estadão

26 Agosto 2010 | 10h32

Nunca o verbo “proibir” foi tão conjugado nas escolas. Por carregar uma suposta conotação sexual, pulseirinhas coloridas foram proibidas em algumas instituições. Recentemente, mais um caso envolvendo censura nas salas de aula nos surpreendeu. A linguagem obscena, presente em um livro de contos distribuído em escolas públicas, indignou um grupo de pais.

Acharam o conto muito chulo para o “meio acadêmico”. Sugeriram o recolhimento do livro.

É estranho assistir a casos como esses. Em pleno século XXI, com o advento da internet – que escancara muitos temas, até então proibidos aos jovens – pais querem manter seus filhos dentro de bolhas. Para tanto, comportam-se como clérigos da idade média: proíbem livros. Restringindo-lhes o diálogo, acabam construindo um muro entre eles e seus filhos. Mas os temas proibidos não são esquecidos. O jovem, fora da escola e da asa paterna, acaba sendo exposto novamente a esses temas, seja virtualmente ou na “vida real”. A bolha explode.

Existe um abismo de uma geração para outra, que deve ser encarado de forma lúcida. Proibição não combina com educação. Enquanto a primeira é meio de opressão e também de desinformação, a segunda serve para esclarecer e compreender a sociedade. Logo, não é o dever da escola inibir a discussão de temas considerados “pesados”.

Ainda mais porque, na leitura obrigatória do vestibular, há obras que fazem alusão à obscenidade. Tomara que o tal grupo de pais não tenha a brilhante ideia de processar as comissões que organizam os vestibulares. Essa moda não pode pegar.

Bianca estuda por conta própria para entrar em Letras