Era uma vez a Fuvest…

Estadão

15 Setembro 2010 | 11h54

Na semana passada, encerraram-se as inscrições para o tão disputado vestibular da Fuvest. E isso me fez relembrar tudo que passei em 2009 para que, hoje, pudesse escrever este post não mais como vestibulando, mas como aluno da USP.

A palavra “Fuvest” esteve presente em todos os dias e quase todas as minhas conversas em 2009. A maioria das coisas que eu fazia tinha que, obrigatoriamente, ter (ou parecer ter) algum vínculo com ela. Caso contrário, eu estaria perdendo meu tempo.

Falando em concorrentes, por exemplo, são eles que tornam a “criatura Fuvest” cada vez mais monstruosa e, claro, essa preocupação veio à tona na hora de preencher a inscrição. Eu sabia que precisava vencer outras 32,35 pessoas para conseguir umas das 30 vagas em Jornalismo, mas quem seriam elas? Será que elas estudaram mais que eu? Será que eles estavam prestando pela 3ª ou 4ª vez?

Para me “ajudar”, um mês antes do preenchimento da inscrição, caiu a obrigatoriedade do diploma para exercer a carreira de jornalista. Várias pessoas que não entenderam a decisão vieram me perguntar coisas do tipo: “Leandro, o diploma de Jornalismo foi ‘cassado’, você ainda vai prestar?”, “Leandro, não tem mais curso de Jornalismo, pra que se arriscar?”.

Diante de tanta confusão, eu realmente pensei se não deveria mudar para Publicidade e Propaganda, mas concluí que essa questão do diploma, apesar do susto, não afetaria muito e seria mais um desafio. Se para McLuhan “o meio é a mensagem” e não apenas o texto é a mensagem, cheguei à conclusão de que só o diploma não diria também tudo sobre mim. Eu mesmo teria que ser o diploma e a mensagem na hora de tentar conseguir um emprego.

Além desse, durante os dias das provas surgiram outros percalços. Teve um blecaute na sala onde prestei a prova da 2ª fase. Como chovia muito em São Paulo, foi um apagão assustador: primeiro, porque todo mundo gritou (inclusive os fiscais) e, segundo, porque a tensão inevitavelmente dobrou. Terceiro, porque era a prova do 2º dia, com 20 questões escritas de todas as disciplinas, com itens a, b e c!

Hoje, o pesadelo acabou… A Fuvest representava praticamente os 90 trabalhos de Hércules e as questões de matemática, a própria Hidra, que quando você acha que resolveu, ela se transforma em outras três. Hoje, a Fuvest é, para mim, apenas uma placa (como se vê na foto) que está no prédio deles aqui na USP.

Foto: Leandro Carabet

Foto: Leandro Carabet

Por ironia, ela é realmente a “entrada”. Portanto, vestibulandos, desejo-lhes muita força e sorte, porque, como relatei, ficamos sujeitos a tudo, mas a recompensa é muito significativa.

Leandro é aluno do 1º de Jornalismo da ECA-USP

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