Entre contos de Salinger e equações químicas

Estadão

05 de agosto de 2010 | 08h33

Acho que a coisa mais chata – e desnecessária – na preparação pro vestibular é ter de estudar as matérias não-prioritárias; ou seja, as disciplinas cujo conhecimento só é útil para passar no exame. Por que um futuro médico precisa conhecer as escolas literárias? Por que um aspirante a advogado deve aprender a balancear uma equação química?

Li certa vez que de cada cinco alunos do Ensino Médio, um abandona a escola. É muito provável que esse desinteresse venha da falta de flexibilidade do currículo. A maneira generalizada de absolver conteúdos se repete no vestibular, o que estraga a propensão de qualquer estudante talentoso.

No início do ano, comecei a estudar francês, mas tive de parar devido ao vestibular. O mesmo aconteceu com um livro de J.D. Salinger. Não consegui lê-lo por causa das matérias não-prioritárias.

O descaso pela Educação gera uma verdadeira bola de neve. Se tivéssemos um sistema de ensino mais realista, provavelmente a fase pré-universitária seria menos desgastante. A evasão escolar diminuiria, o magistério não seria uma carreira marginalizada e eu teria mais tempo pra literatura.

Mas enquanto nada muda, vou manter o foco: concentrar nas matérias de maior dificuldade para ficar tranquila na 2a fase. Salinger vai ter que esperar mais um pouco.

Bianca Gonçalves estuda por conta própria para entrar em Letras

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