Enfim, o Enem passou

Estadão

24 Outubro 2011 | 15h26

Final de semana cansativo. O Enem, enfim, passou.

Continua com um nível considerável de dificuldade. Mas, de certa forma, a prova em si estava tranquila, e não houve grandes problemas, o que me surpreendeu.

No primeiro dia havia muitos textos que precisavam ser lidos – geralmente lemos a pergunta e conseguimos responder sem precisar ler todo o texto, porém, neste ano, a maioria precisava, realmente, ser lida na íntegra. Passível de entender, afinal o Enem cobra muito a interpretação. No entanto, em minha opinião, os textos eram longos.

No segundo dia, parece, diminuíram e se tornaram mais objetivos. Em matemática, se fez necessário a utilização de contas básicas e, em muitas vezes, lógica. Nada tão complexo.

Ciências da Natureza foi a parte com mais incidência de perguntas complicadas. Opinião quase unânime entre os vestibulandos que estão comentando a prova. Principalmente em relação à parte de Química.

A redação foi um ponto conturbado. O tema dava a entender uma coisa, e a coletânea, outra. Definitivamente foi confuso conseguir relacionar as duas coisas. E creio que muitos tenham pensado o mesmo, visto que a opinião de alguns vestibulandos, com os quais falei ao término da prova, é a mesma.

De resto, não tivemos muitos problemas com a prova, exceto algumas questões que podem ser anuladas por ambiguidade de interpretação ou mais de uma possibilidade de resposta.

E mesmo que o processo tenha melhorado do ano passado para este, algumas coisas ainda não melhoraram. É o caso da preparação dos fiscais. São dois por sala e cada um passava uma informação diferente a cerca do mesmo assunto. Ainda que em grau bem menor do que outros problemas, isso acaba atrapalhando os vestibulandos. Não sei quanto tempo antes da prova os fiscais são preparados, mas acredito que a preparação deva ser melhorada.

Além disso, duas coisas ainda me incomodam: a proibição da utilização de lápis; e a proibição do relógio de ponteiros.

Em relação ao primeiro caso, numa prova onde é preciso fazer contas e resenhar uma dissertação, é mais do que lógica a utilização de um lápis. Ainda que haja uma folha rascunho, há a possibilidade dela não ser suficiente.

Quanto ao segundo, a proibição de relógios digitais é completamente compreensível. Mas não há o quê consultar num relógio de ponteiro senão as horas. E aqui a argumentação contrária é de que o tempo é marcado na lousa. A argumentação é válida. Mas se faz necessário pensar que os vestibulandos seguem ordens diferentes de calcular o horário.

Marcar na lousa cada vez que se passa uma hora [e, da metade para o fim da prova: quarenta e cinco, trinta, e quinze minutos] não é de grande ajuda. Eu mesma gosto de consultar o relógio para melhor colocar minha estratégia em prática; como, por exemplo, ver há quanto tempo estou numa mesma questão. São pontos que precisam ser repensados.

Quando ao resultado, saberemos apenas em janeiro. Já que as questões não possuem o mesmo valor, a quantidade de acertos e/ou erros não diz muita coisa. O que sei é que melhorei um pouco em relação ao ano passado. Infelizmente não na proporção que eu pretendia e esperava. Há ainda a avaliação da redação.

Por ora, não nos resta nada; senão esperar. Que venham, então, as próximas provas.

Os estudos continuam.

Luiza Nunes é aluna do Cursinho da Poli