Enem, pede para sair!

Estadão

10 Novembro 2010 | 14h46

O Enem comprovou mais uma vez que, de fato, é um fanfarrão. Pensei que, uma vez tendo ingressado na vida universitária, nunca mais teria que falar sobre o Enem. Mas, fui surpreendido no começo do ano com a exposição indevida de meus dados, notas e documentos na internet e, agora, a segunda versão do Novo Enem cometeu erros muito mais grosseiros do que o primeiro – como, por exemplo, trocar a ordem das questões no gabarito. Cadê o Enem e suas tecnologias?!

Acredito que a maioria das pessoas, quando faz trabalhos importantes, seja um seminário na universidade, um relatório pro chefe ou uma redação pra Fuvest, costumam fazê-lo da maneira mais esmerada, caprichosa e atenciosa possível – afinal, é o seu nome que está em jogo. Porém, desde o ano passado, quando fui cobaia da aplicação do 1º Novo Enem, nunca me foi transmitida tal atenção e preocupação. É consenso entre os alunos que, em se tratando de Enem, muitas vezes, você terá que optar pela alternativa “menos pior” em uma questão – isso não demonstra nenhuma credibilidade.

Diante de tudo que está sendo discutido sobre o atual impasse que as confusões do Enem geraram, acredito que está faltando um olhar sobre o aluno. Discute- se a credibilidade do Inep, a demissão ou não do ministro da Educação e acapacidade do MEC em realizar a prova, só que e os estudantes? Por erros bobos de revisão, os alunos terão que fazer uma nova prova? Dedicar aproximadamente dez horas de um novo final de semana para fazer uma prova que já teve erros em sua primeira e segunda edição (o que não isenta também de haver possíveis na terceira…)? O calendário do vestibulando, no final do ano, é apertado, repleto de provas e desgastes – um erro como esse é no mínimo um desrespeito.

Gastar tempo discutindo veto às obras de Monteiro Lobato?! Acho que a preocupação da Educação brasileira não deveria perder tempo com questões como essa. O problema do descaso do Enem é muito mais grave. Até agora, ainda não digeri a frase do ministro de que a aplicação do exame foi “missão cumprida”; os sucessivos imprevistos do exame não estão dando um bom exemplo de “construção da dignidade humana”.

Agora, acho que entendi porque não deixaram usar relógio na prova…Para os estudantes não perceberem quanto tempo estão perdendo com esses atrasos da educação.

Leandro é aluno do 1º ano de Jornalismo da ECA-USP

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