E se trocássemos o vestibular por um sorteio?

Estadão

19 Agosto 2011 | 08h30

Há um ano e meio venho me esforçando para alcançar algo que almejo: passar no Largo de São Francisco. O vestibular, para nós, estudantes, é uma realidade. Talvez esse ponto seja a principal razão para que tenhamos uma visão bem limitada do processo. Justamente pelo fato de estarmos “imersos” no vestibular, pouco nos interessamos por ele; queremos apenas virar essa página. Quando superada essa fase da vida, menores ainda são os estímulos para que pensemos no vestibular, afinal, existem outras preocupações, como o mercado de trabalho. E, ao som de música clássica, esse carrossel se perpetua, fazendo com que o vestibular nunca seja colocado contra a parede.

Há umas semanas atrás li um projeto de lei digno de um debate. Não por mérito ou genialidade do autor, mas pelo fato de ser inovador. O deputado Sibá Machado (PT-AC), defende nada mais nada menos que o fim do vestibular como processo seletivo. Confesso que, ao ler pela primeira vez achei bizarro, ainda mais quando descobri que sua idéia era trocá-lo por um sorteio. Mas, aos poucos, pude observar que argumentos contundentes foram utilizados pelo autor. Segundo ele, o
vestibular é um fato episódico, que não avalia o processo de aprendizagem, em compensação, tão somente um acúmulo de conteúdos cognitivos.

Pensei comigo: Sim, o vestibular possui falhas. Mas quais seriam as vantagens do sorteio? Por incrível que pareça, apoiado em Rubem Alves, segundo ele um psicanalista de autoridade incontestável no meio educacional,

Documento

: “O ensino fundamental e o médio, sem a neurose de “prepararem para o vestibular”, ficariam realmente livres para perseguir a alcançar seu verdadeiro objetivo que é a formação humana e o preparo para a cidadania. Além disso, o retorno da classe média às escola públicas contribuiria para a qualidade que hoje lhes falta.”

Ao ler todo o texto fiquei surpreso. Em primeiro lugar, pelo fato de não termos acesso a esse tipo de discussão, em segundo, por ter mudado minha visão sob o projeto abruptamente. Em um primeiro momento o via como piada, porém, após lê-lo, pude notar coerência. Não é meu objetivo defender ou atacar essa tese, afinal, o vestibular é a minha realidade. De qualquer forma, fica a discussão. O vestibular é justo?

Caio Godinho é aluno do Anglo

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