De volta aos ideais

Estadão

19 Agosto 2010 | 08h23

Ainda estamos em agosto e as ansiedades, pelo menos para mim, já chegaram. Insônias, noites mal dormidas e, com elas, a necessidade imensa de engolir vários conteúdos de uma só vez. Enfim, o estudo cai na rotina.

Esquece-se, inclusive, do porquê de tanto lufa-lufa. É o vestibular, claro. Mas trato aqui de uma questão bem mais intrínseca ao estudante: qual o ideal que o motiva a estudar tanto?

Quando quero me lembrar desse porquê, da razão da minha ansiedade, me reporto ao tempo (não muito distante) em que eu sentava na primeira carteira, encarando os professores. Gostava disso. Tentava enxergar se alguma coisa os movia, além da repetitiva explicação da matéria. Queria enxergar “coração” em tudo aquilo.  Infelizmente, não era possível realizar essa acareação com todos os professores, pois muitos deles viravam as costas para a sala e enchiam a lousa de textos. E lembrando desses, que inconscientemente renunciavam a carreira, me pergunto: Vale a pena?

Tive uma professora de artes que, quando soube que eu queria ser professora, deu uma advertência: no primeiro ano de carreira, você chega toda animada, querendo mudar o mundo. No segundo ano, você já se enxerga impotente. E o terceiro será como os seguintes: cai na rotina. Você não sabe o que está falando…

A professora devia estar certa. Talvez eu não saiba mesmo o que estou falando. O esforço é grande, o homem é pequeno e a burocracia é gigante. Ser demasiadamente humano custa caro, principalmente para os moldes em que a sociedade caminha.

Como já disse aqui, tive professores inspiradores. Esses, sim, não viam rotina e enfrentavam as barreiras, que vão desde a falta de estrutura da educação pública até o desinteresse da maioria dos alunos. E, a muito custo, venciam.

O pouco convívio que tive com esses professores foi o suficiente para eu enxergar. Sim, tem coração naquilo tudo.

Bianca estuda por conta própria para entrar em Letras

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