A USP de D. Pedro I

Estadão

22 Setembro 2010 | 10h56

O Conselho Universitário, órgão máximo da USP, decidiu recentemente reavaliar e revisar todos os cursos de graduação da universidade, o que poderá resultar em alterações nos currículos das carreiras e até no encerramento de alguns cursos.

Segundo o reitor da universidade, João Grandino Rodas, “não é possível que alguns cursos continuem hoje como eram na época de D. Pedro I”. Assim, visando a possível busca do bem estar de todos e a felicidade geral da universidade, a medida promoveria mudanças nos projetos com o objetivo de torná-los mais interdisciplinares e as cargas horárias mais flexíveis. Quase uma USP “de Líbero Badaró”.

Diante desse quadro, verifica-se que a tentativa de modernização reside na busca pela interdisciplinaridade na formação acadêmica, que tornará os profissionais mais aptos a estabelecerem um maior número de relações entre os eventos a que são expostos dia a dia.

Atualmente, na universidade, podemos escolher disciplinas de diversos cursos, ditas optativas, que podem ir desde “Futebol I” a “Astronomia” e “História do Brasil Independente IV”. Porém, falta ainda um gancho e uma preocupação pedagógica que reforce e auxilie no estabelecimento da interdisciplinaridade entre elas e as possíveis relações destas com o seu curso.

Além disso, foi levantada a questão da cautela na expansão do número de vagas na universidade. Para o conselho, seria inaceitável aumentar o número de vagas quando o necessário seria melhorar as condições atuais, pedagógicas e de infraestrutura, da USP. Tal medida, para uns, parece não ser muito democrática e, para outros, caminha para a busca da excelência na seleção dos alunos que farão sua composição, permitindo maior canalização de recursos para o aperfeiçoamento desses cursos.

Ainda não ouvi muitos comentários a respeito de tal decisão do Conselho Universitário, mas, desde que entrei na USP, sempre notei vários veteranos questionando a aparente falta de uma postura pedagógica que, de alguma forma, envolva e abranja o curso como um todo. Além disso, ao que parece, vem se questionando há muito tempo a possibilidade de revisão do curso, incluindo matérias como Sociologia e Antropologia, no caso de Jornalismo, por exemplo.

Resta-nos, agora, aguardar os possíveis debates que surgirão diante dessas questões. Só espero que eles não se assemelhem à “Noite das Garrafadas“.

Leandro é aluno do 1º de Jornalismo da ECA-USP