A pós-graduação e o inglês

Estadão

25 Maio 2011 | 11h13

Passei a segunda-feira no consulado americano para tirar o visto de estudante. Parte da entrevista foi feita em inglês, o que me lembrou da importância desse idioma na pós-graduação.

Originalmente, a língua oficial da ciência no mundo era o alemão. As revistas dos naturalistas e dos químicos eram todas publicadas na Alemanha. Com o tempo, o inglês tomou esse posto, e o mantém até hoje.

Sem inglês, a sua capacidade de interagir com o mundo científico se torna limitada. Todas as grandes revistas são em inglês, todos os grandes congressos têm como língua oficial o inglês (inclusive muitos nacionais). Resumindo, você só alcança o mundo se for em inglês, seu trabalho só será lido se for em inglês, você só será ouvido se for em inglês.

Algumas pessoas defendem que devemos publicar em português e que nossos congressos devem ser em português também. Eu concordo que é importante prezar pela cultura nacional, além do nosso idioma ser muito bonito e, por isso, não deve ser esquecido. Mas ciência não é feita só no Brasil. Ciência só se torna importante se todos souberem dos seus trabalhos. A ciência só evolui porque ela é feita em conjunto e temos o mundo todo participando nos trabalhos

A ciência só é tão interessante e cativante porque você compartilha as novidades com os outros cientistas e eles fazem o mesmo. A ciência só é linda porque você está sempre  vendo o limiar do conhecimento e tudo isso só pode ser feito se falarmos o mesmo idioma!

Por isso se você, caro leitor, gosta de ciência e pensa em pós-graduação, lembre-se: dominar inglês faz diferença!

Bruno Queliconi é doutorando no Instituto de Química da USP

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