A culpa é do Drummond

Estadão

25 Novembro 2010 | 09h11

Nunca pensei que o meu vício pela escrita e literatura me prejudicaria no vestibular. Foi isso o que aconteceu no último domingo, enquanto eu prestava Unicamp. Comecei pelas redações. O primeiro e o segundo texto escrevi em menos de duas horas. Já no terceiro, aquele que propõe um artigo jornalístico opinativo, com base numa crônica de Carlos Drummond de Andrade, gastei um bom tempo. E bota “bom” nisso.

Me envolvi com a temática das catástrofes naturais e do meio urbano. Era bem a cara do Drummond. A sua estátua, localizada em um banco na praia de Copacabana, está voltada para a rua, e não para a praia. Tudo isso me fez lembrar de versos e mais versos do poeta, e aquilo estava resultando numa boa redação.

Quando eu estava terminando o texto, a f iscal disse que faltava menos de uma hora para a prova acabar. Já era, pensei. Vou ter que largar a minha redação e responder as questões. Mas não fiz isso. Drummondianamente, preferi a “luta vã com as palavras”. Se eu não passar no vestibular, a culpa é do Drummond.

Domingo que vem é a vez da temida Fuvest. Noventa questões alternativas, nada que exija um esforço, digamos, “literário”. Isto é, sem redações. Ou melhor: sem Drummond.

Bianca estuda por conta própria para entrar em Letras