Para que serve o Enem?

Estadão

27 Maio 2011 | 11h42

O universo do vestibulando é marcado por inúmeras incertezas. Além do estudo e da preparação física e psicológica para o vestibular, existem alguns fatores –  determinantes em nossa aprovação – que fogem à nossa esfera de poder. Pode-se citar como exemplo, os recentes debates envolvendo as possíveis mudanças no vestibular da Fuvest, que se de um lado promovem um melhor processo seletivo, de outro contribuem para a sensação de insegurança, tão presente na vida dos estudantes.

Resta-me trabalhar, isso é notório, mas causa certa estranheza saber que dentre algumas semanas o Conselho de graduação da USP, o qual a maioria dos estudantes sequer conhece, irá se reunir e simplesmente definir – de forma um tanto quanto velada – novas “diretrizes” que influenciarão diretamente o nosso desempenho.

Propor mudanças ao vestibular é uma atitude louvável, no entanto cabe ao Conselho divulga-las. Por ser um assunto de interesse público, a presença dos estudantes, enquanto cidadãos, é passiva em excesso. A USP, como qualquer outra universidade pública, recebe recursos públicos, emprega funcionários públicos, mas muitas vezes age como se fosse uma instituição privada.

Outra dúvida freqüente é quanto à utilização, ou não, do Enem nos grandes vestibulares. Não fiquei surpreso ao saber que a Unicamp utilizaria a nota do Enem esse ano. Por mais que o MEC tenha falhado em 2010, devemos levar em consideração que o Exame Nacional está passando por um período de transição.

Sabemos que é muito mais complexo planejar um exame de caráter classificatório do que aplicar uma prova que tenha apenas o objetivo de avaliar a educação nacional, como ocorria na década de 90. Infelizmente, cria-se mais uma dúvida na mente dos vestibulandos: será que vale a pena fazer o Enem?

Caio Godinho é aluno do Anglo