O Brasil e os rankings universitários
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O Brasil e os rankings universitários

Redação Estadão.edu

03 Outubro 2013 | 08h41

Desde que os primeiros rankings universitários foram publicados, dois fenômenos ocorreram: a proliferação crescente desses rankings e a preocupação dos países mais desenvolvidos em colocarem suas melhores instituições em boas colocações nessas publicações.

Isso se deve ao fato de que, além de ser um indicador de excelência cultural, é uma fonte de atração para estudantes e professores de todos os recantos do mundo garantindo a viabilidade financeira das universidades em países onde o pagamento elevado das mensalidades por estudantes estrangeiros é receita decisiva, como é o caso da Grã Bretanha. Não admira, portanto, que os rankings são muito importantes nas ilhas britânicas e que vários rankings tenham lá a sua origem.

Todos os países com um peso internacional desejam ter instituições nesses rankings. Todos menos o Brasil! Em recente artigo, o professor J. P. Alperin, da Universidade de Stanford, afirma que o Brasil é o único país de porte (e isso eu credito tanto ao governo quanto à academia) que não se voltou à meta de colocar suas melhores universidades nos rankings internacionais.

Ao invés disso, o que vemos é que o governo desenvolve suas universidades públicas de forma isonômica, sem concentrar esforços em privilegiar algumas poucas para destacá-las no cenário internacional e isso não é de hoje. É uma opção. Além disso, as universidades brasileiras, praticamente todas elas, não procuram implantar mecanismos eficientes para sua internacionalização, atraindo estudantes e professores estrangeiros. É um problema. A internacionalização vem sendo cada vez mais considerada como um diferencial competitivo para essas instituições, por buscar os melhores do mundo para integrar em seus quadros.

Como concluiu P. Aghion, professor de economia da Universidade de Harvard, os principais fatores para que um país possua universidades de classe mundial são: um forte sistema de financiamento, preservação da autonomia universitária, competitividade interna e externa com sistema de incentivos ao bom desempenho e uma gestão eficiente e moderna.

Gestão implica em planejar, estabelecer metas e avaliar resultados de forma global, setorial e voltada a resultados de forma permanente.

Embora os rankings não representem a verdade objetiva, mesmo porque não concordam entre si, a análise dos indicadores utilizados e a colocação das universidades ao longo dos anos podem trazer importantes subsídios para orientar seus programas. O erro seria correr atrás de qualquer ranking para atingir seus indicadores a qualquer preço.

É importante ressaltar duas questões relativas às posições da USP e da UNICAMP nos rankings internacionais:

1-      As universidades mais presentes entre as trinta melhores do mundo na maioria dos rankings têm muito menos alunos e professores do que a USP (quase 100 mil alunos, incluindo os pós-graduados). A USP está na busca da união da quantidade, quantidade e inclusão social, receita difícil, que pode ter atingido seu limite;

2-      A maioria dos indicadores dos rankings leva em conta valores absolutos, o que facilita uma boa avaliação da USP em relação à média das universidades, devido a seu tamanho, e prejudica relativamente a UNICAMP em relação à USP. No entanto as duas universidades têm indicadores per capita (por aluno ou por professor) semelhantes, e ainda abaixo dos que apresentam as melhores universidades do mundo.

 A notícia de que a USP e a UNICAMP caíram no ranking do “Times Higher Education”, divulgado nessa quarta-feira, 2, não acompanha o que dizem outros rankings. É possível que isso se deva a mudanças internas de critério do grupo que o elabora.

Para ilustrar a situação recente das universidades brasileiras em outros rankings apresentamos a tabela abaixo, na qual indicamos a USP e a UNICAMP que são as duas que, no geral, aparecem sempre melhor colocadas .

Note-se que a posição da USP e da UNICAMP não tem, em geral, piorado. No entanto, há muito que melhorar em nossas instituições de ensino superior para poder ocupar posição de destaque no cenário internacional.

Tabela – Posição da USP e da UNICAMP nos principais rankings nos últimos anos: