Internacionalização do ensino superior brasileiro
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Internacionalização do ensino superior brasileiro

'A educação, que até recentemente podia ser regionalizada porque a mobilidade da população, até meados do século 20, era pequena e os meios de comunicação precários, não atende mais às novas realidades'

Roberto Lobo

30 Novembro 2016 | 01h57

Roberto Leal Lobo e Silva Filho

A internacionalização tem sido entendida no Brasil como uma forma de melhorar as instituições de ensino superior (IES) e sua imagem por meio de intercâmbio de professores e estudantes com centros mais avançados. Isso já é um avanço importante e tem ocorrido na América Latina como um todo, mas ainda de forma tímida.

Um programa sério institucional de internacionalização exige geralmente uma adaptação (Foto: Brian Snyder/Reuters)

Um programa sério institucional de internacionalização exige geralmente uma adaptação (Foto: Brian Snyder/Reuters)

No entanto, o conceito amplo e moderno de internacionalização tende a se ampliar, incorporando os princípios da globalização, isto é, como inserir a IES no mundo global, quebrando as barreiras do regionalismo e participando de alianças e cooperações vencer-vencer, em que ambas as partes se beneficiam, nem sempre e necessariamente, no entanto, em relação aos mesmos itens.

Ser globalizado no ensino superior é acolher com naturalidade estudantes e professores estrangeiros e integrá-los sem dificuldade à rotina institucional, é reconhecer a necessidade do domínio generalizado da língua inglesa na instituição, é buscar parcerias para troca de acadêmicos de forma ampla independentemente da situação financeira de cada um, mesmo que a partir de projetos diferenciados e adaptados a cada realidade.

É interagir com todos os continentes e culturas sem discriminação e aproveitar seus ensinamentos, é dar a seus estudantes e professores uma visão de mundo e das diferentes culturas sem preconceitos, incluindo estes conhecimentos nas estruturas curriculares adaptadas a cada curso e programa, é buscar colaboração internacional para o desenvolvimento de projetos entre estudantes, entre professores e entre grupos de estudantes/professores.

A educação, que até recentemente podia ser regionalizada porque a mobilidade da população, até meados do século 20, era pequena e os meios de comunicação precários, não atende mais às novas realidades, de globalização da produção, do emprego e da vertiginosa expansão dos meios de comunicação.

Um programa sério institucional de internacionalização exige geralmente uma adaptação na missão da instituição, a revisão das formas de recrutamento de professores e gestores e uma reavaliação de suas prioridades, currículos e atividades acadêmicas, que incorporem as novas necessidades e suas repercussões nos próprios documentos legais da instituição (Planejamento Estratégico, Projeto Pedagógico etc) facilitando a dupla titulação, o reconhecimento de créditos obtidos no exterior, a contratação de docentes e gestores estrangeiros. Tudo isso, para ser feito aos poucos, num cenário de algumas décadas.

Quando não é possível, pelas mais diversas razões, desenvolver a internacionalização com o objetivo de globalizá-la, é fundamental que se valorize iniciativas que ajudem a aumentar as experiências dos integrantes da instituição, e mesmo da comunidade onde ela atua, que agreguem o valor da visão de instituições do exterior de bom nível e o mundo está repleto de IES de qualidade, muitas mais avançadas em relação ao que se pratica nas IES brasileiras, seja institucionalmente, seja em áreas específicas.

Precisamos também ampliar nosso escopo de procura, para não bater, na maioria das vezes em vão, na porta das famosas top 10 que, mesmo na sua excelência, não atendem necessariamente aos projetos de IES tão distintas (em tamanho, missão, perfil de alunos etc) como existem no Brasil, tanto no setor público quanto no setor privado.

Para isso, pesquisar as “Hidden Gems” (jóias escondidas) e buscar parcerias para programas de colaboração bilateral e viável (acadêmica e financeiramente) pode ser um bom começo!

                     

 

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