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Eleições e invasões na USP

Redação Estadão.edu

04 Novembro 2013 | 15h11

Volto a um assunto sobe o qual já me manifestei várias vezes, mas o tema volta com um novo ingrediente: a eleição do novo reitor temperada pela invasão da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) seguida de acordo firmado entre as partes, decorrente de decisão judiciária ao prorrogar a reintegração de posse para forçar o acordo.

Pessoalmente, não me agrada a forma como essa discussão está sendo conduzida.

A USP é considerada em todo o mundo como a melhor universidade da América Latina. É um patrimônio do Brasil e não pode ser demonizada porque não elege diretamente o reitor. Quem sabe ela é a melhor porque não faz isso!

Embora nenhuma forma de eleição seja uma garantia contra a condução de líderes demagógicos à liderança da universidade, a importância da USP se deve, em boa parte, à forma como ela se estruturou ao longo do tempo.

Na universidade, tanto ou mais que na sociedade, a discussão sobre qualquer tema deve sempre ser aberta, de forma participativa e racional. Não me parece que invasões truculentas façam parte de estratégias universitárias, embora venham tendo sucesso na história recente da USP e gerando conquistas!

Acredito que se devam, antes de efetuar mudanças drásticas, considerar na discussão, também, experiências históricas que fazem parte da prática e do rigor acadêmico. Quais os exemplos mundiais de reconhecido aumento da qualidade em universidades que optaram por eleições diretas? A história parece apontar para o oposto. Quais das melhores universidades do mundo adotam essa forma de escolha de reitor? Quais as experiências brasileiras a serem apontadas como exemplo, não só da forma de escolha, mas como melhoria de resultados a partir disso? O que os maiores líderes acadêmicos do mundo acham dessa forma de escolha?

Pessoalmente, considero mais importante e urgente para a USP um verdadeiro e consequente processo de avaliação interna com consequências efetivas na gestão, alterando o que não está dando resultado, com metas debatidas e aprovadas para serem alcançadas pelo esforço da comunidade da USP, embora esforço não seja a tônica do debate atual, nem na USP nem na sociedade brasileira.

Deve a USP crescer ilimitadamente? Se houver um plano de crescimento, como descentralizar para não imobilizar a universidade? A USP deve manter e expandir seu tradicional papel de formador de profissionais e pesquisadores pós-graduados para o País? Como estimular a inovação na universidade, principalmente na graduação? Como diminuir a evasão e tornar os recursos públicos mais bem utilizados? Como fazer com que os professores deem mais importância ao ensino? Como abrir mais a universidade à população criando novos espaços e programas abertos à comunidade? Como tornar a universidade mais eficiente reduzindo a burocracia inútil e redundante? Vamos cobrar mais desempenho de nós mesmos ou será que se resolve tudo elegendo o reitor de forma diferente?

Se a eleição direta de reitor atender à maioria desses tópicos e não a benesses corporativas, talvez eu esteja errado. Mas estou certo que poucos dias antes da eleição e com a reitoria ocupada, essas discussões e promessas não são oportunas nem consequentes.