Conversa com o Siri: a história de um aplicativo revolucionário
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Conversa com o Siri: a história de um aplicativo revolucionário

Siri é um bom exemplo de como uma tecnologia cada vez mais poderosa e amigável pode ser gerada: audácia e empreendedorismo de lideranças, estoque de conhecimentos, financiamentos governamentais com objetivos definidos, complementados por financiamentos privados

Roberto Lobo

21 Outubro 2015 | 19h27

Pegar seu celular e conversar com ele perguntando onde fica o restaurante japonês mais próximo e receber, não somente a resposta, mas ser orientado em seu caminho até lá parecia conversa de louco principalmente para quem não é íntimo de IPhones, Smartphones e Cia, como eu. Mas rapidamente estamos nos acostumando a usar esses serviços em nossos celulares.

Essa “conversa” por telefone se dá com o Siri, aplicativo corrente nos celulares da Apple onde uma voz melodiosa responde perguntas, orienta seus trajetos, programa seu telefone, dá a previsão meteorológica e coloca num átimo de segundo o mundo da internet, já triado, ao seu alcance sem você precisar ocupar as mãos.

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A certeza de que os inventores de Siri tinham uma poderosíssima inovação tecnológica em suas mãos pode ser ilustrado com um fato ocorrido em 2009, (quando Siri ainda não era conhecida). A história é contada pelo diretor da SRI International, Norman Winarsky, em artigo recente da Harvard Business Review.

Tendo embarcado em um avião num voo atrasado, o companheiro de Norman, no assento ao lado, perguntou a que horas o avião deveria aterrissar em seu destino, o que o fez pegar seu celular e perguntar: “Siri, a que horas o voo 98 da United Flight deve aterrissar?”

Quando o “telefone” respondeu com a informação, em inglês claro, o passageiro do lado quase teve um desmaio. Disse então a Winarski: “Você não deveria estar em um avião de carreira, porque deve ser um bilionário para ter um aplicativo desses só para você!”.

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Siri é um exemplo de inovação bem sucedida, com os ingredientes indispensáveis de integração de diferentes conhecimentos e em diferentes áreas que se combinam para criar tecnologias só pensadas para filmes de Science Fiction. Na verdade, tudo começou em 1946, no pós-guerra, quando foi criado o Stanford Research Institute que, em 1970, saiu da Universidade de Stanford e se transformou no SRI International – mantendo o objetivo de desenvolver e lançar no mercado novas e disruptivas tecnologias.

A principal função do Instituto era criar estratégias para atravessar o que seus fundadores denominam o “Vale da Morte”: a distância entre a invenção e a inovação, já que a maioria das invenções morre antes de atingir o mercado. O SRI International montou, em 2003, um projeto para unir as novas tecnologias dos telefones, a capacidade de armazenamento e velocidade dos supercomputadores, o desenvolvimento das pesquisas em inteligência artificial e a tecnologia e utilização dos serviços de web e suas interfaces.

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Como geralmente acontece, uma ação deliberada do governo incentivou e acelerou o projeto. Nessa época, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos – por sua agência de Projetos Avançados de Pesquisa – criou um fundo de 150 milhões de dólares para financiar projetos para o desenvolvimento de softwares inteligentes.

Com esse apoio, o grupo do SRI lançou-se ao projeto que, segundo seus líderes, conseguiu unir quatro ingredientes indispensáveis à criação e lançamento de uma inovação:

1- Concepção clara de quem virá a ser atendido pelo produto final: o que exige conhecimento científico e técnico de várias áreas e uma forte rede de cooperação e informação. No caso da SIRI, seria superar a comunicação por teclado nos telefones, criando um serviço movido por voz.

2- Criação de uma tecnologia diferenciada: já havia conhecimento de como transformar a voz humana em textos digitais, além de que computadores podiam associar grupos de palavras com conceitos, mas isso não estava integrado.

3- Montagem de uma equipe de empreendedores: que em conjunto pudessem liderar o projeto, transformando a criatividade de engenheiros e cientistas em verdadeiras inovações comercialmente viáveis.

4- A elaboração de um cuidadoso plano de negócios: a equipe analisou investidores e potenciais parceiros, como os websites, hotéis, restaurantes, companhias aéreas e outros estabelecimentos que poderiam ter interesse nas indicações e orientações de Siri.

De novembro de 2009 a fevereiro de 2010, Siri foi testada em IPhones da Apple. O sucesso foi tamanho que Steve Jobs propôs imediatamente a compra de Siri, incorporando-a ao novo iPhone 4S. Poucas semanas depois de seu lançamento, foi constatada uma aceleração de vendas no mercado americano correspondentes a bilhões de dólares.

Essa tecnologia ainda está em desenvolvimento. As próximas metas são o reconhecimento de diferentes linguagens, aumento da capacidade de aprendizado de Siri, absorção dos conhecimentos dos próprios usuários e direcionar respostas especializadas para cada usuário. O céu é o limite.

Para qualquer um, “conversar” com Siri é uma experiência impressionante. Vão dizer que estou tratando de um aplicativo que está super absorvido, que não é nenhuma novidade, mas o que quero mostrar é que pouca gente sabe como se desenvolve um projeto de tamanho êxito e complexidade.

Siri é um bom exemplo de como uma tecnologia cada vez mais poderosa e amigável pode ser gerada: audácia e empreendedorismo de lideranças, estoque de conhecimentos e capacidade de articulação dos mesmos em ambientes altamente criativos, financiamentos governamentais com objetivos definidos, complementados por financiamentos privados. E, acima de tudo, a vontade de obter um produto final eficaz para um usuário final inicialmente definido.

É muito importante também que não falte tenacidade e o firme propósito de alcançar o objetivo, sem esmorecimentos!

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