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5 universidades brasileiras entre as 100 melhores do mundo!

Roberto Lobo

02 Novembro 2018 | 23h44

5 universidades brasileiras entre as 100 melhores do mundo!

Roberto Leal Lobo e Silva Filho               02 de novembro de 2018

 

Nem todo o mundo valoriza os rankings universitários, uma vez que os parâmetros são difíceis de medir e classificar. Como medir a boa educação? E a qualidade da produção científica? Itens como as citações devem considerar apenas as que aparecem em revistas de primeira linha? E qual o critério de empregabilidade cada vez mais presente nos indicadores dos rankings? A razão aluno/professor é um dado relevante na qualidade do ensino oferecido? Se for, quanto vale comparado por exemplo com taxas de titulação, ou de evasão? Ter alguns Prêmios Nobel deve contar? E estudantes e professores estrangeiros? Qual o peso da cooperação internacional?

Apesar dessas e outras dificuldades, os rankings são objetos de desejo pela simples razão que apresentam uma classificação objetiva dentro dos parâmetros escolhidos por cada organização que os publica.

Os rankings são lidos por governantes, acadêmicos e estudantes de todo o mundo em busca de uma formação internacional de fronteira. Se os critérios são duvidosos, os resultados são claros: boa colocação nos rankings é, sem dúvida, um elemento de atração para estudantes e professores. E o marketing institucional tem seu papel ao divulgar bons resultados.

Se uma país ou uma universidade pretende competir internacionalmente deverá, no mínimo, prestar atenção ao seu desempenho nos rankings publicados. Não que ela deva trabalhar somente para melhorar indicadores específicos cujo único objetivo seja o de subir no ranking, mas deve corrigir falhas apontadas nos rankings dentro de sua missão e ao corrigi-los, melhorará seu desempenho global.

O Brasil, no conjunto das universidades, se situa entre os 20 países melhor classificados no mundo, mas individualmente as universidades brasileiras estão longe de lutar pelas primeiras posições.

A mais bem colocada é a USP que, dependendo do ranking, se situa no conjunto de áreas entre 77º e 300] lugares. Já em rankings por áreas, em algumas faculdades dentro das universidades temos resultados bem melhores. Como exemplo cito a Odontologia da USP que realmente se destaca internacionalmente, sendo considerada a 1ª do mundo pelo ranking CWUR e 9ª no QS.

É importante observar que a Odontologia da USP recebeu grande e benéfica influência de grandes odontólogos europeus e tem uma clínica na fundação a ela ligada. Essa fundação – que atende a população carente, treina estudantes e traz recursos extra orçamentários para a faculdade – é muito criticada, com o argumento de que as fundações desviam a prioridade dos docentes para o mercado gerando perda da qualidade acadêmica. Com explicar, nesta ideologia, a posição internacional invejável da Odontologia da USP? Ligar-se com o mercado não é um pecado, nem destrói a qualidade acadêmica, ao que parece. Mais um tema para reflexão, sem dúvida.

O recém-eleito presidente da República, Jair Bolsonaro, referiu-se criticamente às universidades, afirmando que nenhuma delas está entre as primeiras do mundo. É verdade, embora estar entre as 100 melhores já é uma certa proeza, nas condições brasileiras.

O fato que merece destaque e que originou este meu artigo é que pela primeira vez ouço um presidente da República falar sobre nossas universidades com um olhar mais ambicioso, como se elas deixassem de ser um aborrecimento, ou um quintal político, para ser um fator de competitividade internacional.

Seria muito bom que buscássemos nos aproximar das melhores universidades do mundo. Para isso, devemos elaborar um plano de prioridades e metas quantitativas. Por exemplo, queremos aumentar o número de patentes? Qual a nossa meta? O que fazer para atingir essa meta em 10 anos? Queremos ter 5 universidades entre as 100 melhores do mundo? Precisamos internacionalizar nossas universidades para sermos mais competitivos? Como fazer tudo isso?

O que não se pode considerar como estratégia viável para atingir estes objetivos, de chegar à primeira divisão das universidades, é o que fez o governo de São Paulo aproveitando que o orçamento das universidades paulistas está  fixado em percentual do ICMS, e não no número de alunos e professores, e forçando o inchaço das universidades públicas estaduais, por meio da criação de novos campi, da absorção de faculdades e da criação de novos cursos, tornando  mais difícil para elas se manterem competitivas no cenário internacional.

A USP tem quase 100 mil estudantes, de graduação e pós-graduação, e cerca de 5,5 mil professores (18 alunos /professor), com um orçamento por aluno de cerca de 10 mil dólares anuais (no câmbio atual).

As melhores universidades do mundo, por todos os rankings, têm em média 20 mil estudantes, entre graduados e pós-graduados, 2 a 3 mil professores (7 a 10 alunos por professor) e uma orçamento mínimo de 50 mil dólares por aluno.

Não basta querer, nem esperar por um milagre. Se quisermos ser realmente competitivos nas avaliações internacionais das universidades, precisamos escolher entre a massificação generalizada ou priorizar as que tem maior vocação para serem de alto nível internacional e diferenciar seu tratamento.

Isto quer dizer que é preciso diferenciar o sistema universitário e não ter a mesma receita para todos, mas ajudar cada segmento a atingir com competência seus objetivos previamente estabelecidos.

Ser uma boa universidade de massa é um mérito tão grande quanto ser uma excelente universidade de pesquisa. Só não dá para ser as duas coisas ao mesmo tempo. São objetivos diferentes, por vezes antagônicos, e que possuem aferições diferentes.

Talvez um dos problemas mais graves do nosso país seja o de ter dificuldade de estabelecer diferenças estratégicas e estabelecer sistemas estrategicamente priorizados sem que achem que se está denegrindo qualquer das partes.