Vassouras, flores, óleo e ovos
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Vassouras, flores, óleo e ovos

Redação

11 Fevereiro 2011 | 16h14

No título acima, o único elemento que não pareceria estranho em uma matéria sobre trote universitário talvez fossem os ovos. Tinta, farinha, esmalte e batom tiveram lugar garantido na recepção aos calouros da Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo. Mas a cidadania também estava presente no trote sustentável, que levou grupos de alunos para as ruas do Bela Vista para trabalhar ao lado de garis da Prefeitura e limpando calçadas e recolhendo bitucas de cigarro.

Outro grupo recolheu óleo de cozinha usado em residências e comércios da região. Um terceiro time distribuía rosas e mudas de plantas aos motoristas nos semáforos. Curiosamente, um calouro, ao perceber que entregava a planta a seu próprio motorista particular, resolveu entrar sorrateiramente no carro. E foi embora.

O que chamou a atenção é que nesta edição boa parte dos alunos que usavam a camiseta de calouros eram intercambistas estrangeiros. Estudantes da Croácia, França, Canadá, Itália e até Índia deixaram seus países para cursar seis meses na instituição e conhecer melhor a cultura brasileira. Alguns deles não pareciam estar entendendo por que eram pintados, mas a maioria se divertia.

O trote começou logo pela manhã com as ações cidadãs e, por volta das 12h, foram ao Recanto do Pedrinho, espaço administrados por ONGs da região e onde há ações com moradores de rua e albergados. Ali foram servidos sanduíches e sucos e os calouros foram pintados.

Sem lançar mão do tradicional ‘elefantinho’ (modo de caminhar em fila indiana com as mãos dadas e trançadas entre as pernas) os veteranos atravessaram os novatos até o espaço de eventos Kibixiga. Antes de adentrar, porém, alguns ‘felizardos’ foram, com seu consentimento, alvo de ovos, farinha de rosca, tinta e esmalte.

O dito popular de que ‘bixo é burro’ foi, por um momento, justificado. Todos estavam tão entretidos, alegres e ansiosos pela festa que apenas um veterano reparou uma motociclista passar devagar ao lado do grupo e gritar: – FEA USP!!!  E xingou, tanto a motociclista, quanto o bixo ao lado, que não entendeu que era o grito da faculdade mais rival.

(Felipe Mortara)