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‘São muitos problemas. Falta até água em alguns prédios’, diz caloura da UFPel

Carolina Stanisci

27 Maio 2011 | 21h27

Gaúcha de Rio Grande, Camila Costa Feijó, de 19 anos, cursa o 1.º semestre de Jornalismo Federal de Pelotas. Junto com outros estudantes de sua universidade, a caloura invadiu a reitoria da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) ontem. As reinvidicações do grupo eram muitas: falta de acessibilidade para pessoas com deficiência nos prédios, falta de laboratórios no curso de Jornalismo e até falta de água em algumas unidades. A reitoria foi desocupada no final da tarde.

Por que vocês invadiram a reitoria?
Semana passada, discutimos problemas da faculdade em assembleia. Tinham mais de 40 cursos presentes. A situação da universidade já vem se arrastando faz tempo e decidimos fazer um ato público que saiu do centro da cidade e foi até o câmpus onde fica a reitoria, o câmpus Anglo.

Na internet, li uma lista extensa de reclamações.
São muitos problemas. Falta até água em alguns prédios, porque a cidade é antiga e a faculdade alugou prédios, muitos prédios pela cidade. Falta água nas torneiras. No meu curso, de Jornalismo, não tem computador com acesso a internet. Não tem câmera fotográfica, não tem laboratório de TV nem rádio. O curso começou no ano passado. Tem falta de professor também. Sabemos que em alguns cursos não tem nem professor e tem curso que não tem sala fixa.

À que vocês creditam essa infraestrutura problemática?
Com o Reune, (a universidade) passou de 42 para 93 cursos. Só que aconteceu um problema: aumentou e não tem estrutura para isso. As obras estão completamente atrasadas e ninguém entende  o porquê. Os prédios são antigos. Pelo que me lembre não têm rampa para deficientes.

Mas vocês já tinham tentado avisar ao reitor dos problemas? Ou decidiram logo invadir?
A passeata que fizemos era só para entregar um documento a ele. A gente queria que o reitor convocasse assembleia geral, com professores, funcionários, alunos, todo mundo. No início, ele não quis conversar. Aí, depois, ele foi tentar conversar. Mas, segundo ele, não o deixaram falar. Ele virou costas e foi embora. Aí vários alunos passaram a noite lá. Eu, não. Cheguei lá hoje às 8 da manhã.

Vocês avisaram a mídia pelo Twitter.
É verdade, e foi difícil fazer isso. Não temos internet em sala de aula para os alunos. Tem uma biblioteca, para os alunos. A gente foi até o prédio e, de lá, mandamos o nosso número de telefone para alguns jornalistas.

Vocês foram obrigados a sair hoje à tarde. Houve confronto com a polícia?
Não. A reitoria ainda estava ocupada. Tinha umas cem pessoas. Eu estava num grupo com umas quatro pessoas do lado de fora. A gente ouviu o barulho da polícia umas 18h30. Todo mundo saiu da reitoria. Nosso intuito foi pacífico, não fizemos nenhuma bagunça, não quebramos nada. A gente cedeu para avançar muito mais. Se o reitor pensa que a gente vai parar de reclamar, a gente não vai.