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Reitoráveis falam sobre o processo de votação

Redação

11 Novembro 2009 | 22h01

Por Elida Oliveira e Alexandre Gonçalves

Dois dos três candidatos a reitor da USP escolhidos em votação na tarde desta quarta-feira falaram sobre eleição após a divulgação dos resultados. João Grandino Rodas foi embora sem dar declarações.

O mais votado da lista tríplice, Glaucius Oliva, disse estar aberto ao diálogo. “A universidade precisa, neste momento, de pacificação, de diálogo, de conversas”, falou. “Todos nós estamos abertos ao diálogo e à construção de um projeto de universidade. Mas confiança é a palavra chave. É preciso ter confiança mútua. Nós temos de confiar nos nossos colegas e eles têm de confiar na reitoria.”

Armando Corbani, o terceiro mais votado, quer que a USP enfrente menos embates entre os membros da comunidade que a compõem. “A universidade precisa de um congraçamento maior, evitar que os desgastes aconteçam.”

Diálogo
A atual reitora Suely Vilela, que não costuma atender a imprensa, agiu de maneira mais aberta no início da noite desta quarta-feira e participou da entrevista coletiva. “Fiquei contente com o resultado pois é o mesmo do primeiro turno, o que mostra que foi respeitada a decisão da comunidade acadêmica”, disse, referindo-se ao fato de que os mesmos três nomes que prevaleceram no escrutínio foram os dos três mais votados na primeira rodada.

Ela disse não ter nenhum candidato preferido entre os três e declarou não ter feito análise das propostas. “Não fiz análise das propostas mas em aspecto macro os três buscam a liderança da USP no cenário internacional.”

Sobre o bloqueio da reitoria, que impediu a realização da votação para reitor na tarde de ontem dentro da Cidade Universitária, ela citou a democracia. “Toda manifestação faz parte do processo democrático, mas acho muito ruim que a votação dentro da USP tenha sido impedida.”

Para ela, fazer o processo eleitoral fora do câmpus não foi um constrangimento. “Não vejo dessa forma. Eu acho que o local para realizar a eleição ou qualquer procedimento da universidade é a sala do Conselho Universitário. Infelizmente, em função das manifestações não foi possível realizar pois as portas estavam fechadas, impedindo a entrada dos eleitores. O importante é ter sido realizada a eleição da lista tríplice, mostrando ao governador a vontade da nossa universidade.”

Bloqueio
O processo de eleição para compor a listra tríplice para reitor da USP aconteceu na tarde desta terça-feira no Memorial da América Latina, na zona oeste de São Paulo. Manifestantes do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), estudantes universitários e integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) bloquearam os portões de acesso impedindo a entrada dos eleitores. A imprensa também foi impedida de entrar no Memorial e acompanhou as sete horas de processo eleitoral do lado de fora dos portões. Os resultados parciais dos escrutínios eram informados pela assessoria de imprensa ou por integrantes do colégio eleitoral. Mesmo após a saída dos manifestantes, às 15h13, os portões do Memorial permaneceram fechados. A biblioteca pública, onde aconteceu a votação, ficou fechada durante todo o dia.