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Redesenho do Estadão vira aula na ECA-USP

Redação

31 Março 2010 | 14h29

Por Leandro Carabet, 1º ano de jornalismo na ECA-USP

 

“Na nossa última aula de Técnicas Gráficas do Jornalismo Impresso tivemos que analisar o novo projeto gráfico do Estadão. Depois de ler alguns textos sobre reformas gráficas em grandes jornais, cada aluno deveria observar um modelo antigo e o atual, elaborar relatórios sobre as mudanças, e contribuir em um debate com a professora.

Tanta foi a empolgação que até extrapolamos o tempo previsto.

Nos comentários, a nova fonte tipográfica foi bastante elogiada, por revelar mais suavidade pelas formas arredondas e tornar a leitura mais agradável. Itens mais técnicos, como o uso de cinco colunas na capa ao invés de seis, também foram elogiados. 

A opinião geral é que essa disposição conferia maior peso e clareza aos textos da capa. Em sala, percebemos a tendência da horizontalização das páginas, transformando os textos de colunistas em barras horizontais – um modo de facilitar o manuseio do jornal.

O estilo dos suplementos Feminino, TV, Casa e até o Estadão.edu agradaram por se assemelharem bastante à diagramação de uma revista, com destaque no uso do colorido, das imagens e infográficos.

A única questão que gerou divergências na discussão e até causou um pouco de polêmica foi a introdução de “fios” (linhas) para dividirem as matérias, o que antes era feito por espaços em branco. Muitos alunos basearam a sua opinião na frase de Amilcar de Castro, que dizia que “fio não se lê”. Para eles, as linhas estariam contribuindo para a poluição visual na página do jornal. Para outros, inclusive, para a professora, os fios seriam uma questão de tendência ou até mesmo de moda nos jornais internacionais.

Na discussão, percebi o imenso trabalho que foi feito para repaginar algo consagrado. Umberto Eco escreveu, no novo suplemento Sabático, que o livro é como uma colher ou uma tesoura. Uma vez inventado, não muda jamais.

Em relação ao jornal, penso que ele também continuará sempre existindo como a tesoura e a colher. A diferença é que precisará mudar de cara continuamente para acompanhar o fluxo de novidades do homem moderno, que infelizmente permanece julgando “os jornais” pela capa.”

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