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Professores do Objetivo comentam as questões do Enem deste domingo

Redação

23 Outubro 2011 | 19h41

Português

De acordo com o professor de português do cursinho do Objetivo, Nelson Dutra, a prova do Enem manteve o perfil do ano passado. “Talvez mais fácil.” Essencialmente de leitura, com algumas questões que já são clássicas: função de linguagem, o registro da língua portuguesa no Brasil, a questão do hipertexto, a intertextualidade. “Caiu novamente o quadro Guernica, que já caiu na USP, na Unicamp”, diz.

Dutra afirma que é uma prova que manteve um certo perfil, com questões em que mudam os textos, mas quase sempre aparecem. Com uma visão multicultural e sem uma hierarquia rígida entre os temas. A grande chave da prova é essa de tratar a cultura e investir bastante na interpretação de textos. “Talvez o cansaço do condidato seja o grande problema pelos textos serem longos.”

Para Dutra, há apenas uma questão mais complicada. Um texto do Guimarães Rosa, do livro Grande Sertão: Veredas, em que há uma pergunta de sociologia. “Trata da questão do valor do homem pobre e livre que vive na dependência de um senhor.” O problema maior, segundo o professor, é o texto do escritor ser de uma leitura um pouco mais difícil. “A pergunta poderia ser feita com algum outro escritor com esse mesmo corte sociológico.”

Matemática

O professor de matemática do cursinho do Objetivo, Gregório Krikorian, avalia que “foi uma prova excelente. Bem feita. Talvez apenas uma questão vá criar alguma dúvida entre as 45.” A questão 168 na versão amarela, que é a 167 na azul, tem um problema que envolve a mistura de água com açúcar no copo e pode haver um problema na interpretação.

“Pelo aspecto químico, a proporção de água é bem maior que a de açúcar (uma parte de açúcar para cinco partes de água), o que tornaria o açúcar dissolvido e deixaria o volume de açúcar desprezível.” Nesse caso, seria a resposta d) 120ml. Mas na questão há também uma alternativa, se fosse considerado esse volume seria a resposta c) 100 ml. Se a ideia inicial fosse manter o volume do elemento misturado, poderiam ter refeito a questão escolhendo areia, que não se mistura com a água. “Acaba sendo quase um problema de química e menos um de matemática”, explica.

Para Krikorian, há também muitas questões de interpretação de gráficos e de tabela que permitem a localização quase imediata da resposta nas alternativas. “A prova em geral permitiu ao aluno demonstrar o conhecimento de lógica e de cálculo de competência do ensino médio.”

Espanhol e Inglês

Para o professor de línguas do cursinho do Objetivo, Wellington Pimentel, as provas de inglês e espanhol cobraram o básico, sem nenhuma questão dúbia, e foram bem semelhantes em sua exigência dos candidatos. Nas perguntas de inglês, havia uma questão de interpretação, duas tirinhas e uma letra de música do cantor Bob Marley. “Incentivo em textos curtos, mas que dizem muita coisa”, diz o professor.

Já na prova de espanhol, houve perguntas sobre Machu Picchu e tango, “tratando bastante da questão cultural.” Além de uma questão sobre meio ambiente, que trazia a importância da reciclagem. “A prova exigia um grau de vocabulário básico. O essencial era identificar a mensagem principal dos textos”, diz.