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Prédio da reitoria da federal de Rondônia está ocupado há mais de 1 mês

Redação

11 Novembro 2011 | 19h09

O professor Wilmo Ernesto Francisco Junior, do Departamento de Química da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), está divulgando carta na qual relata a situação de sua instituição, onde o prédio da reitoria está ocupado há mais de um mês. A reportagem ainda não verificou as informações citadas por Wilmo. Segue a íntegra:

“Caros colegas,

venho aqui denunciar a grave situação pela qual passa a Universidade Federal de Rondônia – UNIR, da qual sou professor há 3 anos e meio e atual coordenador institucional do PIBID. Enquanto a mídia logra ampla divulgação da ocupação da Reitoria da USP, por uma causa no mínimo questionável, nossa luta contra a corrupção parece não ganhar eco além das fronteiras amazônicas. A greve na UNIR já dura cerca de dois meses (iniciou em 14 de setembro), não tem data para acabar e deve virar o ano.

Nossa reitoria já está ocupada desde 5 de outubro. Enquanto a mídia nacional mostra alunos da USP se rebelando em função do consumo de maconha, nossa luta contra corrupção é simplesmente NEGLIGENCIADA. Para terem uma ideia, temos que levar papel higiênico para universidade, além de água. Os cursos de Engenharia Elétrica, Engenharia Civil, Engenharia de Alimentos e outros não abrirão vagas no próximo vestibular, uma vez que simplesmente não há sala de aula. Eu mesmo tenho de “brigar” com um professor da Biologia por sala. Um laudo técnico do corpo de bombeiros diz que o campus de Porto Velho apresenta risco de vida aos alunos e professores. Quem quiser conferir fotos da situação do campus acesse o link  www.comandodegreveunir.blogspot.com.

Além disso, a Fundação de Apoio da Universidade, Fundação Riomar tem as suas contas bloqueadas e está sendo investigada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), mesmo o Reitor sabendo das denúncias de desvio não fez nada para sanar os problemas. Aliás, nosso reitor é um dos principais suspeitos por corrupção, mas infelizmente é “abençoado” pelo senador Valdir Raupp, simplesmente o presidente nacional do PMDB.

Nas últimas semanas a coisa está pegando fogo. Estamos voltando aos tempos da ditadura. Um professor de História, sem motivo algum, foi preso pela polícia federal (confiram o vídeo). O mesmo delegado ameaçou jornalistas e deteve dois estudantes que levavam panfletos da greve (muito diferente de fumar maconha no campus). As negociações estão emperradas.

O secretário de educação superior, Luiz Cláudio Costa, veio até Porto Velho e já foi entregue um documento com mais de 1500 páginas apontando diversas irregularidades. Além de desvio de verbas, o favorecimento em concursos públicos é latente por aqui. Alunos e nós professores estamos unidos contra o reitor José Januário de Oliveira Amaral, contudo, nossas vozes não alcançam o resto do país, devido às enormes forças políticas e a tão longínqua terra de Rondônia.

O reitor tem a audácia e a sem vergonhice de acusar professores grevistas de vagabundos e estudantes de bandidos. Bastam acessar meu currículo Lattes e verão que minha produção é no mínimo 10x superior à desse reitor.

Peço que ajudem a divulgar o que acontece em nossa universidade. Um país que leva milhões em festas religiosas, em passeatas contra a homofobia, em jogos de futebol, não é capaz de se mobilizar contra a corrupção. Na esperança de obter eco e apoio daqueles que acreditam e lutam por um país e uma educação melhor.

Att,

Wilmo Ernesto Francisco Junior

Departamento de Química – Universidade Federal de Rondônia – UNIR”

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