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Para candidata da USP, ‘fazer universidade é conquistar uma profissão’

Redação

22 Novembro 2009 | 18h24

Por Elida Oliveira

Aos 14 anos, Mônica de Oliveira se deparou em uma rua perto de casa com uma cobra morta no chão. Ela havia sido atingida por uma pedrada e tinha um corte na ‘barriga’. “Ali eu comecei a mexer e vi que tinha umas cobrinhas, como se fossem fetos. Fiquei tirando eles, um a um.”

Para ‘meninas’, que sempre têm medo de cobras, aranhas e similares, tal atitude não chega a ser normal. Mas era o prenúncio de uma vocação que, três anos depois, Mônica tentava começar a direcionar para a prática. Ela é uma das 128 mil candidatas inscritas para um curso na Universidade de São Paulo (USP). Concorre com outros 1.798 estudantes a uma vaga em Ciências Biológicas no câmpus de São Paulo.

“Ela é o orgulho da minha vida”, diz a mãe Maria de Lourdes Ferreira de Oliveira, de 51 anos, que estudou até a 5ª série. “Quero me especializar em répteis”, diz Mônica, confiante de que avançará para a segunda fase da Fuvest, marcada para acontecer entre os dias 3 e 5 de janeiro de 2010.

Moradora de Juquitiba, a 70 km de São Paulo, não se assusta com a distância que teria que percorrer todos os dias, caso venha a estudar na Cidade Universitária. “Farei todo o esforço possível.”

Para fazer a prova da primeira fase da Fuvest neste domingo (22), Mônica saiu de casa às 10 horas, junto com a mãe. Chegou na Unip, em Pinheiros, ao meio dia. Fez a prova em cinco horas, reencontrou a mãe e voltou para casa, na expectativa de ser chamada no dia 14 de dezembro para a segunda etapa do processo seletivo. “Fazer universidade é conquistar a minha profissão e dar uma satisfação para os meus pais, de todo o esforço que fizeram por mim.”