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“O Enem ainda não encontrou o caminho”, diz professor de Biologia do Anglo

Redação

22 Outubro 2011 | 19h12

* Por Cedê Silva, especial para o Estadão.edu

Até 2008, as questões de Biologia do Enem eram inteligentes, diz o professor Sezar Sasson, do Anglo. Porém, desde que a prova sofreu uma reformulação, “ainda não encontrou um caminho”, diz ele. Em sua opinião, a melhor prova desde então foi justamente aquela cancelada em 2009.

“Sob o pretexto de contextualizar, o Enem investe em enunciados longos que não servem para nada”, reclama. “Este ano, por exemplo, a questão 48 da prova azul trouxe um longo enunciado sobre soro antiofídico, quando o importante mesmo era apenas saber a importância das hemácias”.  Sasson também constatou enunciados imprecisos, como a questão 61 da mesma prova. “O melhor seria dizer ‘molécula’ em vez de ‘fita’ dupla filha. Ficou confuso”.

Já a questão sobre epigenética e câncer (65 na prova azul) cobrou “um conteúdo muito bravo”. “Achei inadequado”, disse o professor. Uma candidata ouvida pelo Estadão.edu conseguiu resolver a questão por eliminação, escolhendo a alternativa que tinha maior diferença das outras quatro. “Foi um bom raciocínio, ela certamente marcou a correta”, considerou Sasson.

O coordenador-geral do Anglo, Luís Ricardo Arruda, constatou uma queixa generalizada dos professores em relação aos  enunciados, em geral muito mais longos do que úteis. “Por outro lado, exceto em Biologia, todos os professores consideraram a prova de boa qualidade”, conta. Para Arruda, porém, o Enem ainda pode melhorar na precisão da linguagem das alternativas, especialmente na prova de Ciências de Natureza. “Às vezes a alternativa fala em ‘velocidade’ mas não fala do quê”, conta. “E deveríamos cobrar do Enem essa questão do tempo, que é muito pouco para enunciados tão longos”.