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Na saída da prova…

Redação

04 Janeiro 2010 | 18h46

Por Elida Oliveira

Fuvest, segunda fase, segundo dia. Na saída da prova, no câmpus da USP, na Faculdade de Educação, dois candidatos conversavam: “Na questão de Honduras, estava certo falar que era o populismo e a forte presença militar…?”
“Eu falei que teve início com a participação do exército e depois que teve a adesão do povo no movimento pró-Zelaya…”
“E coube tudo isso?”

Gustavo Gehling, de 18 anos, candidato a uma vaga em Medicina, sorriu. Teve espaço para escrever a resposta que considerava correta. Ele e o amigo Stefano Domingues, de 18 anos, candidato a uma vaga em Filosofia, passavam uma a uma as questões que caíram na prova do segundo dia da segunda fase da Fuvest 2010.

“E a transformação da ureia em amônia e gás carbônico?”, quis saber Stefano. Gustavo disse que precisava adicionar água, mas Stefano fez a reação sem o H2O. “E dá certo?”, perguntei. “Dá, dá. Mas ia precisar de muita energia… eles não disseram que precisava colocar água… se eu cheguei na resposta… está certo.” Gustavo: “Falava sim, tinha que fazer hidrólise catalítica.” Stefano: “Era outra questão.”

Quis saber sobre a prova de matemática e sobre os gráficos. Gustavo: “Tinha uma questão com triângulos, um pouco complicada.” Stefano: “Eu resolvi com teorema de Thales, que determina a relação entre eixos e retas paralelas que se cruzam.”

Perto dali, três candidatos estavam imunes aos comentários de Stefano e Gustavo. Ouviam suas músicas preferidas em MP3 e celulares. Fernando Henrique, de 17 anos, candidato a uma vaga em Marketing, até me emprestou um dos fones. “É Cobra Star Ship, um som muito bom. Ajuda a relaxar e esquecer um pouco a prova.”

João Victor Guarino estava sentado no meio-fio, usando somente um fone. “É Disco Ensenble, uma banda meio desconhecida.” “E como você a conheceu?”, quis saber. Ele disse que estava pesquisando vídeos do Emery e achou o link nos vídeos relacionados do You Tube. “Aí fui procurar, baixei e estou ouvindo bastante, alivia a tensão.” Quem disse que vestibulando é alienado deve ter feito a pergunta errada.

Heloísa Fogaça, de 17 anos, candidata a uma vaga em Engenharia Civil, estava ao som de Exaltasamba. “Fico nervosa ouvindo os comentários dos outros. Quero relaxar, achei a prova de hoje difícil e preciso descansar para amanhã.”

Tomara que descanse. Depois do vestibular tem a faculdade, talvez estágios obrigatórios, projetos, depois a monografia… especializações, mestrados e até doutorados, dependendo da carreira que construírem para si. Vem coisa por aí.

Na terça-feira os candidatos resolverão 12 questões de disciplinas específicas para cada carreira. É o último dia da segunda fase da Fuvest, exceto para aquelas que pedem provas de habilidades específicas, como Artes Cênicas (bacharelado e licenciatura), com provas nos dias 6 a 8; Audiovisual, com prova no dia 8; e Arquitetura e Design, com provas de 7 a 8. No dia 8 há também a específica de Arquitetura no câmpus São Carlos. Como me disse um professor de cursinho: “E ainda tem gente que acha que ser artista é fácil. Eles fazem toda a Fuvest e mais um pouco.”