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Protesto contra homofobia no Mackenzie reúne cerca de 300 pessoas

Carolina Stanisci

24 Novembro 2010 | 19h47

Por Gustavo Bonfiglioli, especial para o Estadão.edu

A manifestante Miriam Queiroz, travesti, de 50 anos, estava deitada sobre uma bandeira gay, com o rosto coberto de tinta vermelha, na tarde desta terça-feira. O ato de Miriam faz parte do protesto contra um texto assinado pelo reverendo Augustus Nicodemus Gomes Lopes, do Mackenzie. No texto, o reverendo se posiciona contra o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122/2006, que pretende criminalizar a homofobia. O protesto segue até esta noite na região da rua Itambé, no bairro da Consolação, em São Paulo. De acordo com a Polícia Militar, há cerca de 300 pessoas na manifestação.

“Acho um absurdo o que esse representante da universidade falou. Ainda que não seja uma agressão física, é uma fala que incita o ódio e a violência contra os gays”, disse Miriam. Organizado por dois estudantes, Carolina Latini, de 20 anos, que estuda Ciências Sociais na PUC-SP, e Roberto Curan, de 18 anos, que cursa cinema na Faap, a manifestação convocou participantes por meio de redes sociais.

De acordo com Carolina, muitos opinaram contra o evento no Facebook. “Afirmaram que era uma ditadura gaysista (sic)”, disse. “A bandeira dessa passeata é o discurso do representante do Mackenzie, mas estamos lutando pela homofobia de forma geral”. Para Leandro, “não dá para falar em liberdade de expressão se o grupo ferido por ela não tem a mesma igualdade de direitos civis”.

Um ex-aluno de Publicidade do Mackenzie também está presente no evento. Para José Robertto Sato, de 30 anos, o discurso homofóbico foi ‘uma vergonha’, mas não pode ser representativo da instituição. “Tenho orgulho de ser do Mackenzie, e nunca vi nenhum ato homofóbico lá; inclusive os professores sempre inentivaram a discussão de gêneros”, disse.