Inclusão Social: quando? (Parte 2)
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Inclusão Social: quando? (Parte 2)

Redação

03 Novembro 2009 | 07h00

“Na semana passada, relatei o primeiro obstáculo com o qual nos deparamos na busca de uma escola com uma postura realmente inclusiva para minha irmã, que tem necessidades especiais. Tal “saga” continuou durante essa semana…

Tudo começou quando ligamos para um colégio que nos indicaram, chamado “Novo Alicerce”. Logo de cara, dissemos que a aluna usa cadeira de rodas e perguntamos se havia vagas… A diretora desse colégio afirmou que ligaria mais tarde para a atual escola de minha irmã para conversar sobre o caso. Nessa conversa, sem se interessar em conhecer maiores detalhes, a diretora do colégio “Novo Alicerce” afirmou que só poderia ter em sua sala do 1º Colegial 25 alunos, mas que já tinha 27 e que não haveria espaço físico lá para comportar uma cadeira de rodas.

Mais tarde, eu liguei perguntando se haveria vagas para um aluno do 1º Colegial e para mais quatro amigos de sua escola e, por incrível que pareça, foi dito que não haveria problemas com vagas, dado que as matrículas tinham acabado de ser abertas!

Que estranho! Não há como comportar na sala uma cadeira de rodas, mas para quatro ou cinco alunos que aparentemente, são “normais” sempre há vagas?!

Mais uma vez nos deparamos com aquele velho pensamento de que uma cadeira de rodas é sinônimo de problemas! As escolas evitam receber um deficiente mesmo com a oportunidade de conhecê-lo de perto, mas sempre arrumam uma maneira para receber alunos “normais”, mesmo sem conhecê-los, sem vê-los e sem analisar o seu histórico escolar!

Muitas das pessoas para as quais relatamos a postura dessas escolas resumiram essa atitude com uma palavra: hipocrisia! Além de hipocrisia eu diria que a postura delas é uma ironia: a escola chama-se “Novo Alicerce”, mas demonstrou não possuir alicerce nenhum! Primeiro, porque segundo a diretora, não há “estrutura” física para receber uma cadeira, segundo, porque não há alicerce no caráter da própria direção ao dizer que a sala já estava lotada quando ainda havia vagas, terceiro, porque seus alunos não convivendo com deficientes crescerão sem alicerce na cidadania e no amor ao próximo!

Enfim, não vimos “alicerce” nenhum lá, pois o verdadeiro alicerce só aparece quando a edificação se fixa nas necessidades dos diversos tipos de pessoas, raças, deficiências e pensamentos. A inclusão social é sim o “novo alicerce” de que nosso mundo precisa para não ser assim – frágil, insensível e sem “espaço físico”.”