Inclusão Social: Conseguimos!
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Inclusão Social: Conseguimos!

Redação

17 Novembro 2009 | 07h42

“Há algumas semanas, aqui no Pontoedu, venho relatando as dificuldades e barreiras que temos enfrentado na busca por uma escola que tenha uma postura realmente inclusiva para minha irmã, portadora de deficiência física. Nos textos anteriores (Inclusão Social: quando? e Inclusão Social: quando? – Parte 2), relatei as mentiras, a acomodação, a incompetência e a brutalidade no comportamento de alguns colégios que se mostraram mais interessados na fácil quitação dos boletos bancários, do que propriamente na formação de cidadãos.

Hoje, porém, posso dizer que essa história teve um final feliz, ou melhor, um “começo feliz”, pois minha irmã está matriculada no ensino médio!

A escola que adotou essa brilhante postura chama-se Unimor e está localizada em Santana (Zona Norte de São Paulo). Dentre as vantagens que contribuíram para a inclusão efetiva está no fato de o prédio ser novo e, por isso, já contar com a estrutura adequada para receber alguém com cadeira de rodas (elevador, portas largas e salas amplas). Além da boa estrutura na edificação, contamos também com uma sólida e amadurecida postura pedagógica, a qual diferencia-se muito daquelas outras diretoras anteriores e ultrapassadas que sempre afirmam que “não terão espaço para dar a atenção adequada” (frase essa que já virou clichê).

O que me surpreendeu profundamente nas conversas com as pedagogas dessa escola foi o entusiasmo em receber alguém com deficiência justamente para contribuir no estímulo à solidariedade nos outros alunos. Não ouvimos nenhuma frase do tipo “Olha, faremos o favor de incluir sua irmã, tá?”, pelo contrário, até me emocionei quando ouvi a coordenadora dizendo “Que bom que vamos tê-la estudando aqui!”. Percebi, com isso, que a escola procurará assumir uma postura que priorize a sociabilização e tenho certeza que os alunos de lá sairão na frente de muitos outros, pois não aprenderão só física, química e literatura, aprenderão diariamente a respeitar o tempo e os limites de cada um e valorizarão cada conquista, por mais simples que seja.

Nessa última sexta-feira, por exemplo, houve a festa de encerramento das Olimpíadas da atual escola de minha irmã, Colégio Angelli Bonni e lá fiquei profundamente comovido ao vê-la, ao som de Armstrong, carregar a tocha Olímpica pela quadra com o auxílio de uma professora, foi aí que percebi como a inclusão traz vitórias a todos…

Como se não bastasse isso, na saída encontramos a melhor amiga que minha irmã conheceu nessa escola, ambas estão tristes pois cada uma irá para um colégio diferente, mas segundo a amiga, uma coisa ela já sabe: pretende quando crescer ser professora e trabalhar com inclusão social, pois nesses anos de convívio com minha irmã, aprendeu o que é ter fé…

Por ironia do destino, nessa semana, meu primo que estuda no Colégio Adventista (o primeiro a dar a negativa), me ligou pedindo ajuda num trabalho que a escola solicitara, cujo tema era “Discriminação e Preconceito”…”