As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Grupo retira apoio a chapa para unir esquerda na USP

Redação

15 Março 2012 | 16h07

* Por Cedê Silva, especial para o Estadão.edu

SÃO PAULO – O grupo Território Livre retirou ontem seu apoio à chapa 27 de Outubro e convocou as demais chapas de esquerda a votarem na Não Vou Me Adaptar, da situação. O objetivo é derrotar a Reação, única chapa favorável à presença da PM no câmpus. “Este momento nos impõe como tarefa fundamental esmagar a chapa do reitor Rodas”, diz o Território Livre, em nota. Como existem quatro chapas de esquerda, a expectativa é que o eleitorado com esse perfil se dividiria, levando à vitória da Reação (não existe segundo turno). A situação seria a chapa com mais chances.

Integrante do Território Livre, o estudante de Filosofia Murillo Magalhães, de 24 anos, disse hoje que a 27 de Outubro perdeu cerca de um terço dos membros. A carta do grupo tem 25 assinaturas, e restariam umas 50 pessoas na chapa. Murillo é da opinião de que a chapa Reconquista, que candidatou-se em 2009 com membros e ideias semelhantes aos da Reação, foi a real vencedora das eleições e vítima de uma fraude (na contagem de votos a Reconquista perdeu por uma diferença pequena). “A vitória da direita seria muito ruim porque eles não reconhecem a legitimidade das assembleias de estudantes”, afirmou Murillo. “O mais importante é a esquerda deixar de lado as diferenças e construir a unidade nestas eleições contra a chapa do Rodas”.

Na opinião do mestrando Thiago Aguiar, de 22 anos, candidato à reeleição pela Não Vou Me Adaptar, a atitude do Território Livre foi correta, apesar de ainda existirem diferenças entre as chapas de esquerda. “A Reação é a expressão política da reitoria e dificilmente será a favor do que o movimento estudantil propõe”, afirmou.

Gabriel Landi, estudante de Direito de 20 anos e membro da chapa Quem Vem Com Tudo Não Cansa, disse que a vitória da Reação é “o pior cenário”, mas que como eles “não têm força” para ganhar, não há planos para aceitar o convite do Território Livre. “É mentiroso que a Reação representa a maioria silenciosa, porque eles mesmos não são silenciosos”, disse. “E agora que a greve acabou,  a polarização na esquerda diminuiu e o consenso contra Rodas aumentou”.

Para o secretário-geral da Reação, Rodrigo Neves, aluno de Gestão Pública de 25 anos, o movimento do Território Livre “apenas mostra a situação na qual as esquerdas se encontram: viram que não têm chance de vencer, como no ano passado, quando adiaram as eleições“. Segundo Rodrigo, a esquerda percebeu a “falta de esperança dos estudantes no projeto dela”.

O Estadão.edu tentou contato por telefone no começo desta tarde com integrantes da 27 de Outubro e da Universidade Em Movimento, mas ainda não teve resposta.

Um primeiro debate entre as cinco chapas deve ocorrer nesta segunda-feira, 19. Outro debate já está marcado para o dia 21, na FEA.

Mais conteúdo sobre:

dcedce-uspeleiçõesusp