Expedição Guarycuru leva universitários e professores a Melgaço, no Pará
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Expedição Guarycuru leva universitários e professores a Melgaço, no Pará

Redação Estadão.edu

11 Novembro 2013 | 19h58

Sob o por do sol laranja, o skyline da floresta revela rios e trapiches que servem de rua. Antenas parabólicas contrastam com rusticidade das habitações ribeirinhas, no lugar das camas redes. Das janelas o trânsito de barcos com design e cores variadas transforma o rio a todo o momento. A lógica da Amazônia surpreende pela simplicidade e complexidade.

Neste cenário idílico aconteceu entre 31 e 3 de novembro a Expedição Guarycuru, mais uma etapa do Projeto de extensão Cartografias Culturais da Amazônia Paraense, coordenado pela professora Viviane Menna Barreto. A atividade desenvolvida pelo curso de Comunicação da Estácio FAP foi uma parceria entre a Universidade Federal do Pará (UFPA), por meio do Programa de Pós-graduação em Antropologia (PPGA), o Comando do Marajó da Polícia Militar do Pará e a Prefeitura Municipal de Melgaço (PA). Durante quatro dias, uma equipe de 16 pessoas, entre professores, alunos e pesquisadores, deslocou-se pelos rios e baias da Amazônia até Melgaço, no arquipélago do Marajó, no Pará, e visitou escolas e comunidades, registrando de forma multimídia os saberes e as tradições dos moradores da cidade com o menor IDH do Brasil, segundo relatório oficial publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano (PNUD).

A equipe partiu de Belém em uma balsa de carga levando nas mochilas câmeras fotográficas, filmadoras, sonhos e temores. As expectativas misturaram-se às cores das redes embaralhadas umas sobre as outras, aos risos, às conversas e aos choros de crianças que também viajavam pela Amazônia. A travessia ao longo do rio Amazonas durou dezesseis horas. Laercio Esteves, 30, professor de fotografia considera que “o IDH atribuído ao município favorece a criação de um imaginário que não faz jus ao local, que mais parece um paraíso saído de uma pintura de Monet”.

Após paradas nos portos de Curralinho e Breves, principal cidade da ilha do Marajó, a viagem prosseguiu de voadeira, espécie de lancha veloz que revelaria, em meio à floresta pouco povoada, a cidade de Melgaço sob sol intenso. O historiador e professor Dr. Agenor Sarraf Pacheco (PPGA/UFPA), de 39 anos, integrante da expedição, apresentou aos viajantes os fazeres e saberes das populações tradicionais nas vozes de parteiras, foliões, pajés, agricultores e vaqueiros. O itinerário da cartografia aconteceu por meio dos furos da baia de Guarycuru, nome que inspirou a expedição.

Este texto foi produzido e cedido ao Estado pela Agência Colaborativa Estácio