Conheça o professor de Física que criou o melhor blog em língua portuguesa do ano
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Conheça o professor de Física que criou o melhor blog em língua portuguesa do ano

Redação

27 Abril 2010 | 15h47

Por Carlos Lordelo

O professor de Física Dulcidio Braz Junior, de 46 anos, se define como um “maluco por computador”. Nos anos 80, quando estudava na Unicamp, os PCs eram uma novidade que o deixava intrigado. Veio a internet e ele quis descobrir como a rede funcionava por dentro. Chegou até mesmo a montar uma empresa de desenvolvimento de sites. No início dos anos 2000, Dulcidio entrou na onda dos blogs e das redes sociais. Hoje em dia, admite, está “meio viciado” no “tal do twitter”.

Tanta dedicação à vida online foi reconhecida neste mês. O Física na Veia, blog criado em 2004 pelo professor, ganhou o concurso internacional The Best of the Blogs (The BOBs), do grupo de comunicação alemão Deutsche Welle, como o melhor blog em língua portuguesa do ano. A escolha foi do júri técnico, mas o Física na Veia também se deu bem na votação popular: ficou em 3º lugar.

A linguagem simples e bem-humorada do blog atraiu mais de 1 milhão de visitantes em 2009. Dulcidio fala sobre temas atuais a partir da Física, como o funcionamento do LHC, o maior acelerador de partículas do mundo, e a visão em 3D. Professor do Colégio Anglo de São João da Boa Vista, no interior de São Paulo, ele agora se prepara para embarcar em junho para a cidade de Bonn, na Alemanha, onde receberá a premiação.

Abaixo, a entrevista do professor blogueiro ao Estadão.edu.

O professor blogueiro Dulcidio Braz Junior

O professor blogueiro Dulcidio Braz Junior

O senhor esperava que um blog sobre Física ganhasse um prêmio tão importante?
A gente sempre tem esperança, mas quase tomei um susto porque é um blog didático, de divulgação científica e sobre um tema que não é dos mais populares. Apesar disso, no ano passado eu tive mais de 1 milhão de visitantes e, desde outubro, uso o slogan ‘A Física é Pop’. É como se fosse uma provocação.

Como surgiu a ideia de fazer um blog?
Eu tinha lançado um livro pioneiro no País sobre física moderna (Tópicos de Física Moderna) e criei um site para fazer a divulgação entre jovens do ensino médio e superior.

O senhor mesmo foi quem criou o site?
Sim. Nos anos 90 eu tive uma empresa que fazia sites. Aprendi fazendo o site da escola onde leciono. Desde que fiz faculdade, nos anos 80, eu sou maluco por computador. E quando surgiu a internet eu queria saber como era isso. Sou um autodidata nessa área.

E o blog?
Eu divulgava o livro no site que criei, o www.fisicamoderna.com.br. Mas editar um site é complicado, porque você precisa de uma equipe. Aí mudei para a estrutura de blog. Isso foi por volta de 2004, quando os blogs estavam começando a ganhar espaço na internet. Para mim, foi a ferramenta certa no momento certo.

O que mudou desde que o blog foi criado?
No início eu era neurótico. Queria falar sobre tudo que acontecia na Física. Chegava a competir com alguns jornais e portais (risos). Mas aí eu percebi que não tinha que dar tudo no meu blog, porque já existiam empresas fazendo isso. Continuei investindo em notícias, só que usando um texto didático. As notícias são informativas, mas não são didáticas.

Então a proposta é ensinar Física a partir de notícias?
Sim, através de uma abordagem simples, mas nunca vulgar. A Física deve ser simplificada para popularizar os conceitos. Mas tem um outro lado: tinha muita coisa que eu não tinha interesse em me aprofundar, mas vi que as pessoas se interessavam em aprender Física por meio de coisas que aparentemente não tem nada a ver com a Física, como, por exemplo, esportes.

Cite um exemplo.
Criei uma seção no meu blog para falar o que futebol tem a ver com Física, por exemplo. Por que a altitude prejudica o desempenho de alguns jogadores de futebol? Essa é uma das coisas que respondo.

Os assuntos são sugeridos apenas por leitores?
Grande parte. Mas também pego algumas coisas e faço questões em cima. Já teve exemplo que dei no blog que caiu em vestibular da Fuvest, por exemplo.

Qual a diferença, então, entre a Física que você trabalha no blog e na sala de aula?
Para quem é interessado no assunto, é um diferencial visitar o site, porque às vezes não há como fazer certas coisas em sala de aula, já que temos que cumprir um roteiro. Eu vejo o blog como uma sala de aula onde não toca o sinal nem para sair nem para entrar. Ele está lá, disponível, sem barreiras de tempo ou de espaço. Tem gente que visita meu blog do Japão!

Como seus alunos se relacionam com um professor blogueiro?

Alguns entram no blog, comentam, fazem sugestões. O que me deixa mais orgulhoso é quando ex-alunos continuam plugados no blog. Inclusive gente que já se formou, mesmo que em áreas totalmente diferentes da Física.


O blog tem alguma ligação com a escola?
Não, é uma iniciativa minha que inclusive nunca me deu dinheiro (risos). Faço porque gosto. É um balão de ensaio do que posso fazer em sala de aula. Muitas ideias surgem no blog. Há um ano algumas empresas que trabalham com mídia digital passaram a se interessar em veicular propaganda  no meu blog. Estamos negociando.

O senhor passa muito tempo online?
A dedicação ao blog toma, em média, duas horas por dia. Mas já cheguei a ficar até seis horas só fazendo um post, porque tive que filmar e fotografar e depois fazer a edição. O blog é uma equipe de um só.

Além do blog, usa outras redes sociais?
Tenho orkut para manter contato com ex-alunos e agora estou meio viciado no tal do twitter (@dulcidio).

Crédito da foto: Divulgação

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