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Cientista britânico famoso na web faz palestra na USP

Redação Estadão.edu

31 Maio 2011 | 20h07

Um cientista que parece maluco, mas fala coisas sensatas. Esta é a impressão que se tem ao assistir a uma aula do professor de Química Martyn Poliakoff, da Universidade de Nottingham, no Reino Unido. Famoso por estrelar vídeos sobre os elementos da tabela periódica que somam mais de 15 milhões de visualizações no Youtube, Poliakoff deu uma palestra sobre química verde e fluidos supercríticos a alunos do Instituto de Química da USP na tarde desta terça-feira.

Há 25 anos, o britânico estuda como produzir materiais com o menor impacto ambiental possível. Ele faz isso usando os fluidos supercríticos, como água e dióxido de carbono, os quais, quando aquecidos acima de certa temperatura, têm comportamentos peculiares e podem ser utilizados como solventes em reações químicas industriais.

Para o professor, as tecnologias que visam a tornar os processos químicos mais limpos não devem concorrer entre si. Nesse cenário, o Brasil pode contribuir ampliando as pesquisas sobre o uso de biomassa para geração de energia. “Vocês têm grandes áreas produzindo biomassa. É uma oportunidade de pesquisa para os químicos brasileiros.”

Cabelos desgrenhados e óculos de aro grosso, Poliakoff é o estereótipo do cientista que se esconde no laboratório para fazer suas pesquisas. Mas deixe esta imagem de lado e assista a um dos vídeos apresentados pelo professor. Extremamente didático e bem humorado, o britânico mostra porque é considerado um dos maiores divulgadores de ciência do mundo.

A tabela periódica que fez a fama do professor sempre o acompanha. Hoje à tarde, ele usava uma gravata estampada com os símbolos dos elementos químicos. Ao fim da palestra, deu uma peça igual de presente a um professor do IQ-USP.

Celebridade. A aula de Poliakoff mobilizou alunos do IQ fãs do estilo do britânico. “Química estava entre minhas opções no vestibular e os vídeos do professor me ajudaram a escolher o curso”, disse o calouro Marcos Petri, de 21 anos. “Ele tem o cuidado de ser acessível.”

Para Vitor Chamma, de 18, também aluno do 1.º ano de Química, as pesquisas sobre química verde deveriam receber mais investimentos. “É preciso estimular a produção de moléculas sem o gasto excessivo de reagentes e geração de substâncias tóxicas.”

Embora não estude fluidos supercríticos, o mestrando Daniel Alcobia, de 25, pretende aplicar em sua pesquisa sobre polímeros alguns conceitos apresentados por Poliakoff. Ele foi à palestra para conhecer o “professor que desmistifica a química”. “O assunto é meio indigesto, por isso o trabalho dele é louvável.”

Outro admirador do britânico, o aluno do 4.º ano Allan Maple Oliveira, de 22, aproveitou para apresentar suas credenciais. No ano passado, ele recebeu bolsa da Fapesp para estudar polímeros verde durante dez semanas na Universidade da Flórida, nos EUA. Allan também integra o grupo Química em Ação, equipe teatral formada por estudantes do IQ cujo objetivo é despertar o interesse pela química. Quer fazer doutorado fora do País, de preferência com a orientação de Poliakoff. “Já vi todos os vídeos. Uma palestra como essa estimula os alunos”, afirmou.

Visite o canal de vídeos do professor Poliakoff no Youtube

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