Câmpus flutuante da UFPA promove encontro interdisciplinar no Rio Amazonas – Parte 2
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Câmpus flutuante da UFPA promove encontro interdisciplinar no Rio Amazonas – Parte 2

Redação Estadão.edu

06 Setembro 2013 | 19h57

Crédito da Foto: Roberta Brandão/Agência Colaborativa Estácio

Mais de mil pessoas moradoras das cidades ribeirinhas de Almeirim, Prainha e Monte Alegre, no Pará, participaram das 105 palestras, oficinas, seminários, exposições e mostras cinematográficas realizadas durante os seis dias em que o navio do 17.º Encontro Internacional Imaginário nas Formas Narrativas Orais Populares da Amazônia Paraense (IFNOPAP), da Universidade Federal do Pará (UFPA), ficou aportado no oeste paraense. Em uma região recortada por rios e florestas, o câmpus flutuante é uma alternativa de produção de conhecimento, com dialogo entre universidade e comunidade.

E foi isso que aconteceu em Monte Alegre, município banhado pelo rio Gurupatuba, afluente do rio Amazonas, onde aconteceu a última parada do navio universitário.  A encosta urbanizada da cidade é erguida sobre uma planície inundável e sobre um conjunto de colinas de onde se pode observar o rio recortado por diques marginais. Os campos e florestas de várzea da região fazem dessa paisagem um mosaico de formas naturais.

Pouco depois de o Catamarã Rondônia ter aportado em Monte Alegre, já estava cercado por capins flutuantes que davam a impressão de o navio estar encalhado. Esses capins são destacados das margens por processos erosivos e carregados pelas correntezas.  Junto a essas ilhas, uma intensa fauna fluvial se desloca pelo rio.

Entre os destaques da programação acadêmica estava o minicurso “Geoturismo e Sustentabilidade em Monte Alegre”, ministrado pelo professor Wladimir de Araújo Távora e que envolveu estudos integrados de gestão ambiental e planejamento territorial a partir da identificação e quantificação dos fenômenos geológicos. Conhecimento muito importante para esta cidade que é reconhecida internacionalmente por sua diversidade geológica.

Destacou-se também a palestra “As múltiplas vozes sobre as pinturas rupestres de Monte Alegre: narrativas do passado e do presente”, do historiador e mestre em arqueologia Arenildo Silva. O pesquisador, nascido em Monte Alegre, desenvolve um projeto de pesquisa que analisa e compara as narrativas do passado e do presente sobre as pinturas rupestres. Segundo ele, “entender o imaginário da população local sobre estas pinturas pode auxiliar na implantação de ações que evitem a depredação desse importante sítio arqueológico”.

Os sítios são compostos por formações rochosas de arenito, provavelmente do período mesozoico. São verdadeiras relíquias, porque os fatores que as construíram não estão disponíveis atualmente e, sobre elas, inscrições rupestres contam um pedaço da história dos deslocamentos da humanidade.

O primeiro sítio visitado, propriedade da dona Lucimar, foi registrado recentemente no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O registro terá como consequência uma série de expedições no local para se definir a datação das pinturas rupestres espalhadas pelo complexo rochoso. O mundo se voltou para as descobertas arqueológicas de Monte Alegre desde que se constatou que as pinturas rupestres da caverna da Pedra Pintada datam de 11.200 anos atrás, contrariando o paradigma corrente de que o homem só teria chegado cerca de dois mil anos depois para povoar as Américas, através do estreito de Bering.

No encerramento da programação cultural do IFNOPAP na praça de Monte Alegre, houve apresentações musicais de Iva Rothe, Olivar Barreto, Nego Nelson e Dadadá, acompanhadas das performances dos dançarinos Eder Jastes e Jaime Amaral. O maestro Paulo José Campos de Melo ainda tocou ao vivo a trilha sonora de filmes de Charles Chaplin e do filme “Sem Som, Casal Bom!”, do estudante de publicidade da Faculdade Estácio de Sá, Arlem Corumbá.

* Este texto foi produzido e cedido ao Estado pela Agência Colaborativa Estácio.

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