As leis da física, o Facebook e o debate sobre a USP
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As leis da física, o Facebook e o debate sobre a USP

Redação

09 Novembro 2011 | 21h35

* Por Cedê Silva, especial para o Estadão.edu


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Mark Zuckerberg não é físico, mas graças aos recentes acontecimentos na USP seu invento prova que para toda ação há uma reação.
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Foi agendado, via Facebook, um novo ato contra a PM na USP, desta vez na Faculdade de Direito? Um integrante da comunidade “Sou Do Contra – USP” divulga o evento e convida os colegas a marcarem que não vão (por ora, os que confirmaram não ir superam os que vão por 88 a 38).
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Alunos votaram por uma greve? Pipocam imagens com títulos como “por que não estou em greve“.
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Num desabafo, uma estudante da ECA publica o que viu durante a operação da PM? Outra aluna da mesma faculdade afirma que “não é ocupando reitoria e escondendo rosto que vão conseguir respeito”, e um estudante lembra que os manifestantes pertencem a organizações políticas radicais.
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Reclama-se do debate pouco informado? Haverá debate dia 16 entre um chefe de segurança e um representante do Sou da Paz.
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Professores vão decidir se entram em greve? Uma aluna prepara um e-mail pedindo que eles não se juntem ao movimento e pede que os colegas mandem também uma cópia.

Apesar de disponível somente a usuários cadastrados, e com a opção de bloquear conteúdos, dezenas de pessoas deixam no Facebook mensagens públicas, numa variedade e quantidade que lembra os jornais do efervescente século 18. Mas há quem prefira usar tecnologias mais avançadas.

O DJ Mauro Hezê, que faz questão de mostrar o rosto para se diferenciar dos ocupantes encapuzados, publicou um vídeo, já visto por mais de 14 mil pessoas, no qual, abusando dos palavrões, critica os invasores. “A USP não é o sítio ou a chácara de vocês”, reclama. “Vocês são o câncer podre de um sistema de ensino falido”. Ele diz ser a favor da legalização da maconha, mas pensa que, como a droga é ilegal, perseguir esse objetivo deve também ser na forma da lei.

Os tais “jornais do efervescente século 18” fazem parte da obra do filósofo Jürgen Habermas. Mas o que ele tem a ver com isso?

Desde a prisão de três alunos da USP encontrados fumando maconha no dia 27 de poutubro até a chegada à delegacia, na manhã de terça-feira, de outras dezenas que ocupavam a reitoria, os manifestantes brandem livros. E entre os livros brandidos estão As Palavras e as Coisas, de Michel Foucault, O Golpe na Alma, de Marcius Cortez, Lutando na Espanha, de George Orwell, Idea – a Evolução do Conceito de Belo, de Erwin Panofsky, e um volume de obras escolhidas de Walter Benjamin (1892-1940). Este último, apesar da diferença de idade, é considerado colega, na chamada Escola de Frankfurt, do acadêmico Jürgen Habermas (vivo aos 82 anos), que escreveu que a ‘esfera pública’, onde ocorrem os debates, ficou mais rica com a difusão de livros e jornais possibilitada pela tecnologia da prensa.

Foto: Tiago Queiroz/AE

Foto: Paulo Liebert/AE

Habermas pode não entender muito de internet, mas a esfera pública entende, e a usa intensamente para discutir as ações dos manifestantes que brandem livros do seu colega Walter Benjamin.

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